• Invasão: “Comunicado à Comunidade de Repúblicas e Amigues da República ROSA LUXEMBURGO”

    Quem conhece a história da República Rosa Luxemburgo, sabe que esta casa é das primeiras repúblicas de mulheres da cidade de Coimbra, hoje declaradamente transfeminista e ativa na construção de espaços seguros para todes, livre de machismo, lgbtfobia, racismo, xenofobia e outras formas de violências estruturais. Para além disso, é formada maioritariamente por pessoas imigrantes brasileiras, algumas racializadas, o que contribui para agravar o relato que se fará a seguir. Na madrugada do sábado, dia 8 de julho de 2023, por volta das 7 horas da manhã, a nossa casa foi invadida por três homens, bastante embriagados, identificados como pertencentes à República Boa- Bay-Ela. Éramos ao todo cinco mulheres em casa, cada uma em seu quarto a dormir, quando a nossa porta foi arrombada, ruído que despertou prontamente uma das residentes, que foi logo ver o que acontecia.

    Desceu as escadas, viu a porta de casa escancarada, fechou, por preocupação com nosso gato, que poderia fugir, e encontrou já na sala dois homens mais velhos, completos desconhecidos, sentados confortavelmente nos sofás, enquanto outro, mais jovem, estava na varanda, aparentemente fechando a calça após urinar. Assustada, quis saber o que acontecia e os dois homens mais velhos se identificaram enquanto antigos da Boa-Bay-Ela, sendo o mais jovem atual residente da casa. Ao que ela pediu que se retiras sem, um dos mais velhos, aparentemente mais embriagado e nervoso, mais tarde identificado como Carlos Vilar, respondeu violentamente que não sairia, além de começar a emitir xingamentos a nós e à casa, a nos mandar a ir ao caralho, porque não éramos uma república séria, éramos uma república de merda, que não fazia nada, além de outros impropérios.

    O mais jovem, posteriormente identificado como Hugo Teixeira, começou a tentar apaziguar a situação e conseguiu convencer seus companheiros a deixar a casa. Horas depois, a residente que teve que lidar sozinha com a situação, contou a todas o que tinha se passado e desde então estamos a processar o trauma, lidar com os danos materiais e psicológicos desta invasão, além de encaminhar as providências cabíveis. importante ressaltar que essa violência que sofremos por parte de homens pertencentes à Boa-Bay-Ela (antigos e atuais), embora com mais gravidade desta vez, não é pontual e faz parte da cultura de machismo e violação que esta casa insiste em manter e reproduzir. Nos últimos quatro anos, pelo menos, foram inúmeras tentativas de entrarem em nossa casa, quase sempre em grupos numerosos de homens, sempre na madrugada, sob a justificativa de continuarem a festa ou serem recebidos para o pequeno almoço.

    Como não nos conhecem de nenhum lado, tampouco demonstram interesse de fazê-lo, nunca concordamos em recebê-los, pois é evidente que por trás da suposta atitude amigável está a necessidade de ocupar nossos espaços como se fossem deles, assim como a cultura da violação legitima a “ocupação” dos corpos femininos como propriedade privativa dos homens. Trata-se de uma violência motivada pela vontade de afirmar o poder sobre alguém que foge ao seu controle ou o ameaça. Ao contrário do que costumam afirmar, não há nenhuma tradição entre nossas repúblicas que motive essa invasão reiterada de nossa intimidade, e se um dia houve, ela já deixou de existir no momento em que reconhecemos a importância de construir cotidianamente espaços seguros para nossos corpos e nossas vidas.

    Os repúblicos e antigos da Boa-Bay-Ela já foram advertidos por nós, quando vieram das vezes anteriores, que não admitiríamos essas situações outras vezes e nossa postura foi reiterada perante a casa durante a reunião do Conselho das Repúblicas ocorrida em janeiro deste ano, na República Rápo-Taxo. Na ocasião, discutimos coletivamente as providências que a Boa-Bay-Ela deveria tomar para evitar que situações de violência machista se repetissem em sua casa, em festas e convívios, como a que havia se passado durante o último centenário da república, contra residentes da República Corsários das Ilhas. Pelo visto, nada foi realizado para uma mudança efetiva da cultura e da prática desta casa. A Boa-Bay-Ela continua a fugir da responsabilidade pelas práticas nocivas e violentas de seus componentes, sejam eles antigos ou atuais.

    Além de não se reconhecerem como parte de um problema mais amplo e assumirem a responsabilidade pelo que é cometido em nome da casa, falharam nas medidas de cuidado e reparação, ao não nos receberem quando fomos a sua casa, durante a tarde do dia da invasão, e enviarem para dialogar conosco o próprio agressor, o mais violento deles. Isso é inadmissível e nos retraumatiza de formas difíceis de reparar, comprometendo a nossa saúde mental, o nosso sono, sossego e sentimento de segurança dentro da própria casa. Até mesmo a condição de abertura e acolhimento de uma república pode ficar também comprometida, porque teremos muito mais medo e precaução de abrir e deixar nossas portas abertas.

    E, como se não bastasse, o nosso trauma não havia acabado por aí. Na tarde do domingo, quando fomos à Polícia de Segurança Pública, denunciar as pessoas envolvidas no crime que narramos, mais violência. Os agentes de polícia, além de não darem a devida atenção ao crime que tínhamos a reportar, claramente por não levarem tão a sério jovens estudantes brasileiras, praticamente nos dissuadiram a seguir com a denúncia, recusando-se em alguns momentos a colher o relato por completo, minimizando a gravidade do que narrávamos e afirmando, de diferentes maneiras, que esse processo não daria em nada.

    Portanto, como sabemos que as instituições públicas são parte do problema que queremos combater e sabemos que as vias legais e punitivas dificilmente darão respostas satisfatórias e efetivas, compartilhamos esse relato, na tentativa de abrir outras vias de diálogo e resolução.

    Assim, convocamos a nossa comunidade a tomarem conhecimento do ocorrido, posicionarem-se e nos ajudarem a construir soluções coletivas para a nossa proteção, segurança e convívio. Já recebemos o apoio de boa parte das Repúblicas e amigues e esperemos que outras se juntem.

    No mais, desejamos a todes um divertido e ensolarado verão! Abaixo a Praxe e Viva o Haxe!

    republicarosaluxemburgo

    República Rosa Luxemburgo

    Casa anti-praxe, transfeminista, autogestionada e comunitária.

    Fundada em 1972 por Fernanda Mateus.

  • Decrescimento ou Extinção 2023-07-11 21:30:59

    Consulta pública mina do Romano
    , Montalegre

    Podes aceder ao portal participa.pt e deixar a tua participação,
    quantos mais melhor, esta gente gosta de números,
    mais abaixo podes encontrar também um texto pré-feito se gostarem d reciclagem

    barrososemminas.org/romano/

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  • 18ª Marcha do Orgulho do Porto, reportagem e manifesto

    Não há cura para a minha existência, só orgulho e resistência! 🌈

    Manifesto da Marcha:

    Boa tarde PORTO!!!! Boa tarde Distrito do Porto, Boa tarde a todas as pessoas que vieram de tantas zonas do distrito e de outros pontos do país, para estarmos aqui, hoje, juntes! Somos uma força incrível e transformadora!Obrigada! 

    Marchamos hoje com este lema: 

    Não há cura para a minha existência, só orgulho e resistência! 

    Uma das práticas que constituem um dos mais antigos marcos institucionais de violência homofóbica e transfóbica, está prestes a ser cumprido: o fim das terapias de conversão no nosso país. Quiseram converter-nos, mas converteram-nos à luta pela nossa existência, tal como ela é, tal como somos. Olhem para a pessoa que está ao vosso lado, que está à vossa frente, que está atrás de vocês: não nos rendemos e estamos aqui juntes hoje. 

    O fim das terapias de conversão é mais um ato de resistência e destruição do patriarcado cis/hetero/mono/normativo colonial e racista! E é com muito orgulho que lhe damos mais uma machadada, enquanto fazemos a nossa revolução sobre as suas cinzas. 

    Por isso, é com grande alegria e expectativa que encaramos o antecipado fim destas práticas, um passo fundamental na pauta dos direitos das populações LGBTQIA+ do nosso país, conquistada pela luta coletiva. 

    No entanto, o avanço da extrema-direita é uma ameaça grave à nossa liberdade. Aos direitos conquistados, vivemos uma crescente onda de intolerância e ódio no Parlamento, em Câmaras Municipais, juntas de freguesia, na comunicação social, nas televisões, nas redes sociais. 

    Assistimos, num espaço de meses, a um caso de transfake, episódios de violência física contra casais homoafetivos, contra migrantes, a vandalização homofóbica e sequestro da instalação artística do Évora Pride, à censura a artistas LGBT na nossa cidade, por trazerem à luz do dia o tema do colonialismo em Portugal. Tantas Marchas nasceram neste país no pós pandemia, e instituições públicas como as Câmaras Municipais continuam a negar apoio. 

    Mas ficamos caladas? Não! 

    Temos algo de profundamente incómodo que gritamos à intolerância, ao ódio e ao preconceito: não existe cura para a nossa existência, só orgulho e resistência!

    Não aceitamos invisibilidade, esta também é a nossa cidade! 

    Para nosso espanto, onde esta Marcha hoje celebra 18 anos de existência, tentaram expulsar-nos e invisibilizar-nos. Sim, estamos a falar da cidade do Porto. No armário do Covelo, portuenses LGBTQIA+ jamais irão entrar. Fomos muito claras na comunicação social e nas redes sociais, fomos até às reuniões da Assembleia Municipal do Porto. Rejeitamos o não lugar que nos querem submeter! Não somos doentes, nem selvagens, não somos perverses, nem bestas. 

    Somos, sim, feras, mas feras de luta! Por isso, estamos aqui hoje no centro, com o coração da cidade do Porto a bater: a nossa existência e o nosso orgulho. A Câmara Municipal do Porto precisou de esperar por este dia histórico para ter mais de 20.000 pessoas a dizer aquilo que o Presidente da Câmara quis apagar: Senhor Rui Moreira, esta cidade não é sua, esta cidade é nossa, tão orgulhosamente nossa! 

    Senhor Presidente e Excelentissimos representantes deste povo que não se revêm nas políticas de invisilibilização e discriminação, não estamos esquecidas: 

    O Porto nosso movimento, hipocritamente aprova no Executivo da Camara Municipal do Porto a integração do Porto na rede Cidades Arco Íris só para mais tarde, o mesmo movimento, chumbar na Assembleia Municipal. Afinal o que é este movimento? 

    Foram os sucessivos anos de pedidos e recusas de hasteamento da bandeira LGBTQIA+ na Câmara Municipal do Porto pelas Comissões Organizadoras anteriores da Marcha do Orgulho; é o tal do Plano Municipal para a Igualdade, iniciado em 2018 e que, ao contrário do que o executivo municipal declara, ainda não tem sequer nomeada uma equipa para este plano. E então, Senhor Presidente, onde está o Progressismo? 

    Senhor Presidente, o povo já percebeu, o Rei vai Nú. E nós somos pela democracia, não pela nobreza dos brancos costumes! 

    Não há cura para a minha existência, queremos sim saúde e decência 

    Muitos dos atendimentos realizados por profissionais da saúde, e em particular de saúde mental, ainda nos estigmatizam. É urgente penalizar qualquer tipo de prática que negoceie as nossas identidades, que nos intimide dentro de um centro de saúde ou hospital.

    Queremos um Sistema Nacional de Saúde com mais centros hospitalares com cuidados trans-específicos e equipados para nos prestar cuidados. Hoje em dia existem apenas 3 centros, com mais um a caminho, nenhum fora de Portugal Continental. Exigimos a ampliação do acesso à terapia hormonal em Portugal, para portugueses e migrantes, independentemente do estatuto ou condição socioeconómica. 

    Afirmamos também o direito à autonomia do corpo e o fim da discriminação, estigmatização e juízo moral, das nossas sexualidades, dos nossos modelos relacionais (dentro ou fora da monogamia); que cuidem de nós de uma forma que afirma a nossa liberdade. 

    Defendemos o aborto seguro, o combate à violência obstétrica, a ampliação da procriação medicamente assitida digna para todas as pessoas e o fim da sexualização e objetificação dos nossos corpos. 

    Lutamos também por cuidados específicos para pessoas intersexo e que se vá além da recente, mas importante vitória, da abolição das cirurgias desnecessárias a crianças intersexo. Somos pela autodeterminação e abandono do paradigma das “características sexuais” binárias. Precisamos de respostas construídas com as pessoas intersexo e que tem em conta as suas preocupações e necessidades. 

    Exigimos um SNS com melhores equipamentos médicos, com mais médicos de família, mais especialidades, uma melhor resposta pública na saúde mental e o acesso gratuito e sem restrições a tratamentos antirretrovirais, antibióticos, PrEP, PPEm, a ampliação de iniciativas de acompanhamento de saúde sexual descentralizadas. Serviços públicos que cheguem às pessoas LGBTQIA+, pessoas migrantes, trabalhadores do sexo e pessoas idosas. Falamos sobre o justo direito ao cuidado, em pleno,e para todas as pessoas. 

    Marchamos igualmente em defesa da escola pública. É fundamental uma política de fiscalização das práticas educativas, dos manuais, materiais e recursos utilizados em sala de aula que reforçam o preconceito com a diversidade das identidades. Lutamos por um currículo de formação para a diversidade e inclusão, que questione a sociedade portuguesa, a sua história colonial e fascista e que se repercutem através da violência contra as pessoas LGBTQIA+, migrantes, pessoas racializadas, pessoas ciganas. Há crianças e jovens que fogem, abandonam a escola devido ao preconceito que sofrem. É uma vergonha.

    É urgente garantir a educação sexual e afetiva emancipadora e não estigmatizante, que permita prevenir a gravidez precoce, o assédio e a violência sexual contra menores, o estigma e a violência contra crianças e jovens LGBTQIA+. 

    Reivindicamos também o combate ao capacitismo, e defendemos a necessidade de um plano nacional para a acessibilidade a edifícios públicos, começando com o cumprimento efectivo de várias medidas já previstas na Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência. Queremos também um plano nacional e planos municipais para cidades inclusivas. Queremos que o espaço público seja de todes e que o acesso à saúde, à educação, ao mercado de trabalho e a relação com o estado seja inclusiva para as pessoas com diversidade funcional ou intelectual. 

    Queremos ver também na academia a adoção de lentes interseccionais para que estudos que informam políticas públicas inovadoras considerem as múltiplas pertenças que colocam as pessoas LGBTQI+ em situações de maior vulnerabilidade. Defendemos estudos que não perpetuem um sistema binário! Falta redirecionar financiamento para a população LGBTQI+ e outras minorias sociais que são vozes fundamentais da academia, recompensando-as justamente pelas contribuições para o desenvolvimento das ciências. Não somos objetos de estudo. Somos vidas. 

    Porque não há educação sem cultura, queremos uma mudança do paradigma cultural português. Defendemos mais financiamento para produções artísticas que desconstruam o género, a sexualidade e a hegemonia patriarcal e dos “brancos” costumes. 

    É fundamental maior apoio a profissionais da cultura e das artes, mais oferta de cultura pública e mecanismos específicos para manter e ampliar os espaços culturais existentes, desde cinemas, centros culturais, bibliotecas públicas, com espetáculos e iniciativas acessíveis a todes. As artes não se rendem nem se vendem! 

    No Mundial de futebol no Qatar em 2022 e em tantos eventos desportivos, assistimos reiteradamente e em direto, a declarações homofóbicas, manifestações transfóbicas e racistas. Lutamos por um desporto inclusivo e que as instituições deixem de policiar os nossos corpos, que aceitem pessoas trans e intersexo na prática desportiva sem as encaixar num binário que não lhes serve. É mais que necessária formação para a diversidade na prática desportiva. Basta de ficarmos no banco!

    Nos censos, exigimos a leitura de variáveis demográficas que permitam espelhar o país tal qual se apresenta, desde as populações racializadas, a agregados familiares LGBTQIA+, passando pelas pessoas migrantes e pessoas com diversidade funcional. 

    Defendemos o reforço da formação da polícia e das instituições públicas, para que se elimine a opressão e a violência racista e lgbtfóbica nas intervenções policiais. 

    Não há cura para a minha existência, exigimos habitação e independência! 

    Há uma crise da Habitação em Portugal. Estivemos presentes nas manifestações pelo Direito à Habitação, e até hoje, não temos respostas e o problema agrava-se dia após dia. Mais e melhor acesso à habitação pública é urgente e para ontem. 

    Exigimos o controlo do mercado de arrendamento e o fim dos despejos. Neste momento, somos reféns não só da discriminação que sofremos na procura de casa, mas das políticas do governo que protegem os senhorios e os especuladores imobiliários. 

    Quando somos expulsas ou temos de fugir de casa porque somos vítimas de violência doméstica, são quase inexistentes as respostas públicas que acolhem, e em segurança, pessoas LGBTQIA+. É inaceitável, que na região norte, só exista apenas UM único abrigo de emergência para as pessoas LGBTQIA+. 

    A população em situação de sem-abrigo no Porto encontra-se também numa situação inconcebível. É uma violação diária dos Direitos Humanos. E O Porto nosso Movimento, promove ativamente o abandono das pessoas em situação de sem abrigo, com a ausência de políticas municipais consistentes e com as suas ações de higienização da cidade. 

    É inconcebível, é de uma violência atroz, as pessoas não terem acesso a um bem essencial para construir um projeto de vida seguro, autónomo e digno: o acesso a uma Casa. 

    Por isso continuaremos a gritar: Nem casas sem gente nem gente sem casa! Se a Habitação é um problema, os nossos salários e condições de trabalho também!

    Queremos o fim da discriminação no mercado de trabalho, apoios sociais reforçados e que as pessoas LGBTQIA+, nomeadamente as pessoas Trans, tenham condições para trabalhar sem violência, sem discriminação com vinculos laborais nao precarios. Portugal, Precário, Sai do Armário! 

    Este país não é para novos, porque nos negam o direito à habitação e condenam-nos à precariedade laboral, mas também não é para velhos e velhas! 

    A pobreza, o acesso limitado aos cuidados de saúde continuados, os escassos apoios sociais para uma vida digna das pessoas mais velhas, é o retrato deste país. Envelhecer não pode ser uma palavra que se fecha a sete chaves dentro do armário. Homenageamos as pessoas LGBTQIA+ que durante períodos mais duros da nossa história, desafiaram a lei, arriscaram as suas vidas, para hoje estarmos aqui tantas e tantos. Obrigada. 

    Orgulhamo-nos também que nestes dezoito anos de Orgulho no Porto, o movimento das trabalhadoras do sexo e o movimento feminista sempre foram aliadas e parte desta Marcha. Continuamos e continuaremos a marchar juntes, até que as trabalhadoras do sexo sejam ouvidas, respeitadas e incluídas no Estado de Direito deste país. Nada sobre nós, sem nós, e para todas e com todas as pessoas. Nao aceitamos e repudiamos a criminalizacao do trabalho sexual. 

    Somos um movimento transfeminista, porque não aceitamos que o género que nos é atribuído à nascença determine as nossas vidas e as nossas identidades. Para nós, o corpo é território de liberdade, não de aprisionamento. Afirmamos o direito à autodeterminação, à auto identidade e à autorrepresentação. 

    Não há cura para a minha existência, a luta contra a violência, o colonialismo e a repressão é internacional! 

    Defendemos a autodeterminação dos povos pelo mundo, a desmilitarização e o fim do conflito armado feito em nome de interesses económicos e coloniais. Somos veementemente contra o Estado de Israel e seus aliados usarem a bandeira LGBTQIA+ para lavar o sangue dos milhares de palestinianos mortos, expulsos do seu país, vítimas das políticas genocidas deste Estado opressor.

    Olhamos com grande preocupação para o que está a acontecer na Rússia, na Hungria, Polónia, e em todos os países onde crescem governos fascistas, neoliberais de extrema-direita. Os direitos de pessoas LGBTQIA+ estão a ser retirados e gradualmente destruídos, são ameaças reais ao direito à vida. 

    Precisamos de dialogar e conversar sobre o passado colonial português, que serve de pano de fundo para o avanço do conservadorismo e da extrema direita em Portugal. Enquanto não combatermos as consequências do colonialismo na nossa sociedade, nunca poderemos superar o racismo estrutural e construir uma sociedade ancorada na justiça social. 

    Não há cura para a minha existência, queremos um futuro e combater esta emergência! 

    Juntamo-nos a tantas vozes que exigem uma resposta à emergência climática que vivemos. Torna-se cada vez mais claro que a sociedade capitalista não tem feito o suficiente para travar as alterações climáticas e continuamos a sobre-consumir, destruir e desrespeitar o que é de todes. Todas as métricas definidas nas últimas décadas ficaram por cumprir. 

    Queremos políticas ecologistas, não apenas o ambientalismo de fachada aliado ao capitalismo “verde”. Temos pouco tempo para evitar este colapso, isto é uma emergência como nunca enfrentamos! 

    O nosso compromisso é inabalável, Portugal, a Europa e o ocidente devem cumprir com as suas responsabilidades e acolher os refugiados climáticos, pessoas afetadas pela crise das alterações climáticas e pelas políticas económicas e extrativistas dos países ricos. 

    Defender os povos originários, os povos indígenas, é defender o Direito à vida! Posicionamo-nos contra o negócio agropecuário, da monocultura e extrativista que continua a destruir o ambiente, desertificando o solo, contaminando a água, os animais e a expulsar comunidades inteiras. 

    Não hárevolução das Lésbicas, Gays e Bissexuais sem a libertação de todas as pessoas Trans, Travestis e Queer.Não aceitamos a invisibilidade! E o que construímos coletivamente inspira o sonho do que ainda está por fazer. Basta de fetichizar as nossas relações. Erguemos o orgulho lésbico, bissexual, pansexual e feminista. Erguemos o orgulho trans, erguemos o orgulho homossexual, assexual, e erguemos o orgulho dos afetos, da sexualidade e do consentimento,

    das não monogamias e do kink, da expressão de cada um como cada uma se quer expressar numa sociedade radicalmente livre. 

    Hoje é dia 8 de julho de 2023, hoje é a 18ª Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto. 

    Há quem ache que somos apenas um mês do calendário. Que chega Junho e querem-nos colar um arco-íris na testa; fazer de nós um produto de marketing; querem-nos como decoração para festas temáticas; fazer de nós um roteiro turístico; fazem contas ao lucro que querem ganhar à custa das nossas vidas… 

    Antes de sermos 20.000, fomos 100, depois 500, somamos mais 300, crescemos para mais de 2.000, orgulhamo-nos quando fomos 7.000… Continuamos a ser orgulhosamente tanta gente. Somos uma força impaciente, um desejo de liberdade, somos o ano todo e há muitos anos. Somos dignidade e consciência, orgulho e resistência! 

    Não há lucro à custa da nossa existência, somos orgulho e resistência! 

    Não haverá ódio à nossa existência, somos orgulho e resistência! 

    Não há cura para a minha existência, só orgulho e resistência! 

    Este Manifesto foi lido em nome dos Coletivos da COMOP 2023: 

    Anémona. A Coletiva. A comunidade para o Desenvolvimento Humano. Amplos – Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género. Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Associação de Estudantes da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. CaDiv – Caminhar na Diversidade. Coletivo A Traça. Douro Bats. Habitação Hoje. Feminismos Sobre Rodas. Gentopia – Associação para a Diversidade e Igualdade de Género. Greve Climática. Kings of Kitéria. Núcleo Antifascista do Porto. PolyPortugal. Porto Inclusive. rede ex aequo. Saber Compreender. SheDecides. SOS Racismo

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  • “Sobre o evento Porto Pride” de 2001 a 2012

    Nota da redação:

    Em 2023, e depois de vários conflitos por parte do seu presidente com a Organização da Marcha do Orgulho do Porto, o Porto Pride decide fazer a sua festa nos mesmo dias que a Marcha do Orgulho do Porto. Uma decisão provocatória e propositada, com o intuito de deslocar as pessoas da Marcha do Orgulho.

    Desde 2019, é organizado com o apoio da Câmara Municipal do Porto (através da Porto Lazer) pela Variações – Associação de Comércio e Turismo LGBTI de Portugal , depois de esta de forma litigiosa se ter apropriado da marca PORTO PRIDE. (via Wikipedia)

    Isto deve também explicar o porquê da câmara do Porto negar o apoio à Marcha do Orgulho: já têm o seu próprio evento paralelo, pinkwashed e des-politizado em frente ao Rivoli.

    ver o site: portugalgay.pt

    COMUNICADO DE IMPRENSA

    Porto, 6 de julho de 2023

    Este é um comunicado diferente, na sua disposição, mas não muito diferente dos demais no seu propósito, que é esclarecer. Esclarecer que o evento que hoje usa o nome Porto Pride não está de forma alguma relacionado com o evento que usou o nome Porto Pride de 2001 a 2012.

    Corria o ano de 2001, e havia no país uma única Marcha do Orgulho LGBT+, a de Lisboa, da qual eu João Paulo, enquanto representante do portal de internet PortugalGay.pt, fazia parte da coorganização da mesma. No final de uma das reuniões de preparação, um amigo e à época presidente da ILGA Portugal, de seu nome José Manuel Fernandes, lançou um desafio enquanto se despedia de mim e do marido, disse: – E no Porto, para quando um arraial gay?

    No momento não levamos a coisa muito a sério, estávamos a falar de um país e de um Porto, bem diferente daquele que vivemos hoje, mas 320km de volta ao Porto, ali para os lados de Coimbra, a ideia começava a ter forma, e chegados ao Porto levamos a ideia, e a vontade de realizar uma festa Pride, ao nosso amigo Miguel Rodrigues Pereira, então proprietário de um dos bares LGBT mais falados no momento, o Boys’R’Us.

    Juntos reunimos os restantes bares LGBT da cidade (Q-Bar; Him; Moinho de Vento e Café na Praça), e demos o nome de PORTO PRIDE, aquele que foi o primeiro evento Pride celebrado publicamente na cidade, e no dia 7 de julho de 2001 nascia para o mundo o evento que veio mudar mentalidades na cidade Invicta.

    O evento durou até 2012, num formato que achamos fazia sentido dentro de portas, mas com uma entrada simbólica e que permitiu juntar uma diversidade incrível de participantes de todos os estratos sociais e com as mais variadas formas de estar na vida respeitando a segurança de cada pessoa. Um formato que teve o seu peso sociopolítico quer na comunidade, com a participação de múltiplas associações e grupos que puderam no evento promover as suas ideias de forma perfeitamente gratuita, passando pelas pessoas que animam a noite LGBT que tinham assim uma oportunidade de atuar perante uma plateia muito maior do que o habitual e com meios técnicos diferenciados próprios de uma sala de espetáculos, e um evento que também teve visibilidade além de portas distribuindo pouco mais de 30 mil euros em donativos, primeiro junto da Liga de Amigos do Hospital Joaquim Urbano, entretanto extinto, e depois à Associação SOL.

    O evento terminou em 2012 por uma confluência de razões. Por um lado, alguma saturação da própria organização e dos múltiplos obstáculos que tínhamos de ultrapassar ano após ano por sermos uma organização independente, por outro lado a impossibilidade prática de fazer o evento crescer na cidade, e por outro também alguma apatia do movimento LGBT na altura relativamente ao evento, e sem essa energia também não fazia sentido um evento que sempre se quis comunitário.

    Entretanto a Marcha do Orgulho na cidade do Porto era uma realidade estabelecida e a importância do evento Porto Pride deu dor de cotovelo a muita gente, incluindo Diogo Vieira da Silva que enquanto vice-presidente de uma associação da cidade (que desapareceu pouco depois), tentou desde 2010 de todas as formas não só minar a excelente relação e coordenação entre o Porto Pride e a Marcha do Orgulho LGBT no Porto, como fez questão de promover ele próprio eventos alternativos ao Porto Pride, que pouco sucesso tiveram, como defendeu acerrimamente que o evento não devia ser no mesmo dia da marcha e que era importantíssimo tornar claro que a marcha é uma coisa e o evento é outra. Passados alguns anos parece ter esquecido tudo o que defendeu anteriormente.

    Quanto decidimos fazer a última edição do Porto Pride em 2012, foi também uma oportunidade para fazer balanços e repensar o evento. Foi um ponto de pausa em algo que fizemos de coração durante anos e sabemos que era acarinhado por muitos na cidade e não só.

    Mas cinco anos depois, devido a uma questão técnica legal, fomos surpreendidos com o mesmo Diogo Vieira da Silva a conseguir garantir para si a marca Porto Pride, contra a vontade da organização original do evento e, sejamos bem claros, sem nenhuma coordenação com a organização original. Não houve uma passagem de testemunho, ou de alguma forma alguém decidiu tomar conta do evento… o que aconteceu foi simplesmente uma tomada hostil da marca “Porto Pride” por Diogo Vieira da Silva.

    O Porto Pride que se realizou entre 2001 e 2012, nunca teve apoios camarários, mas orgulha-se de nas últimas edições obter mensagens políticas dos presidentes da CMP, um princípio de abertura de portas que até então pareciam fechadas a 7 chaves. O Porto Pride que terminou em 2012 orgulha-se de ter trazido à cidade DJs de clubes LGBT internacionais, intérpretes de êxitos mundiais, e de ter dado um palco privilegiado à animação LGBT da Invicta. O Porto Pride que terminou em 2012 orgulha-se de ter nas suas 12 edições reunido milhares de convivas vindos um pouco de todo o mundo, num Porto ainda muito longe da atual realidade turística cada vez mais focada no ganho monetário rápido. O Porto Pride que terminou em 2012 foi um catalisador da Marcha do Orgulho LGBT do Porto, sempre a respeitou e sempre trabalhou no sentido de uma maior visibilidade e participação na marcha. O Porto Pride que terminou em 2012 nunca se esqueceu das raízes reivindicativas que marcaram os eventos Pride do século XX.

    E porque divulgamos agora publicamente este historial? Porque ao ler várias notícias que saíram sobre o evento que atualmente usa o nome Porto Pride poderia ficar-se com a ideia de que estaria de alguma forma relacionado com o evento original. Nada mais longe da verdade. Como explicamos de nenhuma forma a organização anterior teve algum dixit no evento atual, e muito menos a organização atual teve alguma contribuição positiva no evento anterior, antes pelo contrário!

    E, concluindo, achamos absolutamente abusivo ver na imprensa a inclusão no histórico do evento que hoje se chama Porto Pride, as edições que organizamos entre 2001 e 2012 que nada têm em comum além da marca registada do nome do evento. E para repor a verdade dos factos pedimos a atenção dos jornalistas ao divulgarem notícias sobre o evento.

    Grato pela atenção,

    João Pacheco Paulo

    Editor PortugalGay.pt

    Coorganizador Porto Pride 2001 – 2012

    Medalha de Mérito da Cidade do Porto

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  • Aquecimento Global bate Recordes Enquanto Defensores Ambientais são sacrificades

    Queride público,

    (Este artigo foi escrito com ajuda da Inteligência Artificial)

    É com grande entusiasmo que partilhamos convosco um artigo sobre o aquecimento global e a necessidade urgente de ações transformadoras para enfrentar a crise climática. A Terra registou o seu dia mais quente de sempre, marcando um novo recorde de temperatura global pelo quarto dia consecutivo. Ao mesmo tempo, não esquecemos os sacrifícios corajosos dos defensores ambientais em todo o mundo.

    A Terra registou o seu dia mais quente de sempre esta semana, marcando o quarto dia consecutivo de recordes de temperatura global. Estes acontecimentos alarmantes, juntamente com os sacrifícios dos defensores ambientais em todo o mundo, realçam a necessidade urgente de uma ação radical e transformadora para enfrentar a crise climática.

    Imagem: Jujuy, 2023 – Fonte: Rede Nacional de Medios Alternativos

    De acordo com os dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), a temperatura média global alcançou um recorde sem precedentes de 17,23°C na quinta-feira. Este valor excedeu o recorde estabelecido no dia anterior, de 17,18°C, e destaca o impacto das emissões de gases de efeito estufa causadas pela atividade humana e a presença de um evento El Niño no Oceano Pacífico.

    Estes valores são provavelmente os “mais quentes em 100.000” anos, diz Jennifer Francis, cientista na Woodwell Climate Research Center.

    A importância destes recordes diários vai além de meras estatísticas. Eles refletem o aumento do calor resultante das mudanças climáticas, agravado pelo ciclo climático natural do El Niño. O aquecimento do planeta reflete as consequências das ações humanas e destaca a necessidade de ação imediata.

    A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também prevê que há uma chance de 66 por cento de que a temperatura média anual em todo o mundo ultrapasse 1,5 graus Celsius entre 2023 e 2027, por pelo menos um ano. Além disso, o relatório da OMM sugere que um dos próximos cinco anos, bem como o período de cinco anos completo, serão os mais quentes já registrados. As temperaturas médias da superfície do mar estão em níveis recordes, e diversos fatores, como o aquecimento global, a diminuição da poeira do Saara, o El Niño e os combustíveis de baixo teor de enxofre para navegação, contribuem para o aumento das temperaturas oceânicas.

    Eventos climáticos extremos, impulsionados pelo aquecimento global, representam uma séria ameaça à produção agrícola e à segurança alimentar global. Ondas de calor, secas e padrões intensos de precipitação estão a tornar-se mais frequentes e intensos, causando efeitos adversos nos sistemas agrícolas em todo o mundo. A ocorrência simultânea e em proximidade desses extremos climáticos está a agravar os impactos sociais além do somatório de cada evento ocorrendo de forma independente. Isso tem levantado preocupações sobre falhas sincronizadas nas colheitas em várias regiões produtoras de alimentos, o que poderia ter consequências desproporcionais para regiões dependentes de importação.

    Estudos recentes têm avaliado os riscos de falhas sincronizadas nas regiões produtoras de alimentos, considerando abordagens estatísticas e os principais modos de variabilidade climática. No entanto, nas médias latitudes, a ocorrência de extremos climáticos simultâneos é amplamente influenciada pelo jato de corrente, os ventos de alta velocidade na troposfera superior. Regimes de circulação específicos durante o verão dentro do jato de corrente atuam como teleconexões circumglobais, promovendo simultaneamente extremos de calor e precipitação que afetam negativamente a produção agrícola nas médias latitudes.

    O evento forte de El Niño previsto para 2023-2024 terá consequências de longo alcance. Espera-se um calor recorde, com a Organização Meteorológica Mundial a indicar uma chance de 66% de exceder um aquecimento de 1,5 °C por pelo menos um ano entre 2024 e 2027. O aumento das secas e das chuvas extremas representa riscos para a agricultura, afetando especialmente a segurança alimentar no sul da África, América Central, Caribe e partes da Ásia. O momento desse evento coincide com outras crises, incluindo instabilidade política e questões de segurança alimentar, o que pode agravar a situação.

    Os próximos 18 meses podem revelar-se um período de caos e devastação, pois as temperaturas globais devem subir a níveis sem precedentes. A combinação das mudanças climáticas, destruição de habitats e outros fatores mencionados anteriormente já tem exercido uma pressão imensa sobre a flora e fauna do planeta.

    Com a intensificação da onda de calor global e a ocorrência generalizada de ondas de calor nos oceanos, como o branqueamento dos recifes de coral devido ao aumento da temperatura do mar, antecipam-se relatos devastadores de várias partes dos oceanos. Este período será particularmente desafiador, pois testará os limites da resistência humana e social, bem como as capacidades das infraestruturas.

    a temperatura média global alcançou um recorde sem precedentes de 17,23°C na quinta-feira. Este valor excedeu o recorde estabelecido no dia anterior, de 17,18°C, e

    É crucial reconhecer os sacrifícios dos defensores ambientais, como evidenciado pelo relatório “Uma Década de Desafio: Dez anos de relatórios sobre ativismo ambiental e territorial em todo o mundo”, divulgado pela Global Witness. Na última década, mais de 1.700 defensores da terra perderam as suas vidas, o que equivale a uma média de um defensor morto a cada dois dias. O Brasil emergiu como o país mais perigoso para os defensores ambientais, com 342 ataques letais registados desde 2012, principalmente na Amazónia brasileira.

    O relatório revela que as comunidades indígenas enfrentam um nível desproporcional de ataques, representando quase 40% dos incidentes registados, apesar de constituírem apenas 5% da população mundial. A escalada da violência, criminalização e assédio enfrentados pelos defensores ambientais decorre de governos repressivos e empresas focadas no lucro, que priorizam o ganho económico em detrimento do bem-estar das pessoas e do ambiente.

    Estas estatísticas alarmantes e as temperaturas recordes devem servir como um apelo à ação. Devemos abraçar perspetivas combativas, anarquistas, ecofeministas e ecoqueer, que defendem mudanças transformadoras enraizadas nos movimentos sociais que lutam pela justiça e pela sustentabilidade.

    Desde os movimentos liderados por indígenas para proteger as terras ancestrais até às abordagens ecofeministas que enfatizam a igualdade de género e a restauração do meio ambiente, estas perspetivas oferecem informações valiosas para soluções sustentáveis e justas. Elas desafiam as estruturas de poder opressivas, promovem ação coletiva e priorizam o bem-estar das pessoas e do planeta.

    Embora a urgência da crise climática possa ser avassaladora, há esperança nos movimentos globais que lutam por mudanças. Esses movimentos estão a lutar por ações imediatas para abordar as causas fundamentais do aquecimento global e proteger as comunidades vulneráveis. Ao amplificar as suas vozes, apoiar os seus esforços e envolver-se em ativismo de base, podemos impulsionar a mudança sistémica necessária para combater a crise climática.

    A cientista, ativista e autora Dr. Vandana Shiva passou décadas a lutar para proteger a diversidade biológica e cultural. Ela destaca na introdução ao relatório da Global Witness que a cada semana, três pessoas são mortas ao tentar proteger suas terras e o meio ambiente dos interesses extrativistas. Nos últimos anos, o número de vítimas chegou a mais de 200 por ano, com 200 defensores assassinados apenas em 2021. Vandana Shiva ressalta a importância de reconhecer essas vítimas como pessoas reais, amadas pelas suas famílias e comunidades, que foram consideradas dispensáveis em nome do lucro.

    Vandana Shiva cresceu rodeada por defensoras da terra e do meio ambiente. Ela desafia a visão de que a natureza deve ser conquistada e subjugada, uma mentalidade originada no Ocidente, que não reflete a realidade dos defensores do Sul Global. No entanto, é o Sul Global que sofre as consequências da violência, enquanto o suposto “benefício econômico” é direcionado para outros lugares.

    A autora alerta que estamos à beira de um colapso, com uma emergência climática e a possibilidade cada vez mais presente de uma sexta extinção em massa. Es defensores da terra e do meio ambiente são fundamentais nesse contexto, e sua proteção é crucial não apenas por razões morais, mas também para garantir o futuro da humanidade e do planeta

    É essencial reconhecer que a luta contra as mudanças climáticas caminha lado a lado com a luta pela justiça social e ambiental. Os sacrifícios feitos pelos defensores ambientais destacam a ligação entre a crise climática e a proteção dos direitos humanos.

    Para enfrentar os desafios que estão por vir, devemos responsabilizar aqueles que são responsáveis pela degradação ambiental e violações dos direitos humanos. As indústrias extrativistas, operações de mineração e grandes agroindústrias que contribuem para o aquecimento global devem ser investigadas e abolidas. Além disso, devemos priorizar a proteção des defensores, investigar os crimes cometidos contra el_s e garantir justiça contra os seus assassinos.

    Embora a gravidade da crise climática não possa ser subestimada, o poder coletivo de indivíduos, comunidades e movimentos que trabalham rumo a um futuro sustentável oferece esperança. Ao unirmos forças com base em princípios anarquistas, ecofeministas e ecoqueer, podemos desafiar sistemas opressivos, desmantelar estruturas hierárquicas e construir um mundo mais equitativo, resiliente e sustentável.

    O caminho à frente está repleto de desafios, mas a urgência da crise climática exige que ajamos agora. Juntes, podemos criar um futuro que proteja o ambiente, respeite os direitos de todas as pessoas e abrace os princípios de justiça e igualdade. Vamos solidarizar-nos com os defensores ambientais e lutar por um mundo livre da destruição ambiental e da opressão social.

  • Ataque Cibernético à TAP Air Portugal: Grupo GhostSec Exige Resgate por Dados Roubados

    (Noticia escrita com ajuda da Inteligência Artificial, estamos a experimentar. Se achares péssimo, por favor avisa-nos. Sempre que usarmos a I.A. vamos dizê-lo.)

    O grupo de hackers GhostSec reivindicou a responsabilidade pelo ataque cibernético à TAP Air Portugal, no qual afirmam ter obtido acesso a 350GB de dados. Eles exigiram um resgate para evitar a divulgação das informações.

    Sobre o caso de corrupção na TAP, surgiram suspeitas de corrupção na compra de mais de 50 aviões pela companhia aérea. Indícios apontam para pagamentos acima do valor real por aviões adquiridos durante a gestão de Fernando Pinto e David Neelman. A auditoria encomendada pela atual administração reforça as investigações em andamento.

    Os casos de corrupção na TAP foram alvo de uma averiguação preventiva anteriormente, mas foram encerrados por falta de provas. Agora, com a auditoria concluída, as investigações ganharam novo impulso. Fontes afirmam que os pagamentos indevidos podem chegar a milhões de euros, desviados para intermediários do negócio. Além disso, há suspeitas de combinação de perguntas entre a ex-CEO da TAP e deputados do Partido Socialista.

    Os hackers ameaçaram divulgar todos os dados caso não recebam o resgate exigido. Eles estabeleceram duas carteiras de Bitcoin, uma delas destinada à TAP, que precisa atingir 250 mil euros em uma semana para evitar a divulgação. A segunda carteira é voltada para apoiadores e pessoas interessadas em vazamentos de dados, e se atingir 50 mil dólares americanos, todos os dados serão divulgados imediatamente.

    É importante observar que a autenticidade das informações do grupo de hackers e a extensão do ataque à TAP Air Portugal ainda precisam ser verificadas.

    Quite the silence, it is about time we break it.
    We come with a very special and exciting publish, something we are trying out for the first time we can even call this A RACE FOR DATA!!

    Who do we got today for our corrupt and controversial victim? Tap Air Portugal (CERTIFIED BY NATO AS WELL)l!! Haha your recent activity and corruption hasn’t gone unnoticed
    therefore to add onto all this pressure you (TAP) will be competing in our little race YIPPEE. We have collected a total of 350Gb of data from this lovely and totally clean airlines

    Now how does this race work you may ask? Very simple below we have provided 2 different BTC wallet the first one has to be filled up to 250K (we will assume this money comes from you at TAP and your partners) and if it does get filled up within a week then the data will not be released and we can promise to also delete it from our end we will also increase the price by 10k everyday and drop more files if it doesn’t get filled up. Now the other BTC wallet is for our supporters and the people interested in the data getting leaked if this 2nd BTC wallet gets filled up to 50k USD then we will publish ALL the data right away.

    GhostSec

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  • Manifesto Barreirense pelo Direito à Habitação

    De: cidadãos Barreirenses

    2830 – Barreiro

      Destinatário: A todos os Barreirenses

    Assunto: Carta aberta – Viver no Barreiro – O direito à habitação; O direito à cidade; Fim da exploração e do aumento do custo de vida.

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    quem somos

    Somos cidadãos Barreirenses preocupados com o direito à habitação, o direito à cidade e com o aumento do custo de vida que enfrentamos, ao nível local, nacional e internacional. Enquadrados no movimento internacional “Housing Action Days 2023”, uma semana de ações e manifestações por toda a europa coordenado pela European Action Coalition for the right to housing and the city, juntamo-nos a estes para debater, auscultar e encontrar soluções direcionadas ao contexto da cidade do Barreiro.

    Acreditamos que é necessário articular todas as partes interessadas na discussão sobre futuros desejáveis, assentes na realidade efetiva do território, permitindo co desenhar soluções de longo prazo baseadas na defesa do patrimônio urbano coletivo e dos bens comuns, que resultem em políticas públicas locais que garantam melhor qualidade de vida na nossa cidade.

    Queremos uma cidade que contemple os valores sociais em detrimento dos valores meramente financeiros. Uma cidade acessível, diversa e densa com forte componente ecológica e baseada em valores humanos. 

    o direito à habitação no barreiro

    Como previsto na Lei de Bases da habitação, em conformidade com o artigo 65º da constituição da Républica Portuguesa, “Todos têm direito à habitação, para si e para a sua família, independentemente da ascendência ou origem étnica, sexo, língua, território de origem, nacionalidade, religião, crença, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, género, orientação sexual, idade, deficiência ou condição de saúde”.  Resumindo, casa digna para todos.

    A Estratégia Local de Habitação demonstra claramente as problemáticas existentes no concelho, assim como o enquadramento das soluções definidas pelo município com recurso aos fundos comunitários. Destacamos desta, o número irrisório de habitação pública no Barreiro, 258 alojamentos da CMB e 241 do Estado perante um total de 42285 alojamentos familiares clássicos. Chamamos a atenção para o processo de segregação urbana em detrimento da mistura social, quer por motivos geográficos, quer por efeitos do mercado imobiliário. Esperamos ainda que o investimento previsto na ELH em construção dispersa, seja em áreas já urbanizadas e de custos controlados para habitação acessível.

    O Barreiro tem 77.765 habitantes distribuídos por 34.366 famílias clássicas. Tem 41.827 alojamentos familiares clássicos (Censos, 2021). Perante o problema habitacional que nos confrontamos é curioso que tenhamos mais casas do que famílias. Os fogos vagos na cidade são já 4.661.

     Deixamos a questão: O que podemos fazer para que estes fogos, juntamente com terrenos vagos no centro da cidade (ativos com capacidade construtiva e uso definido no PDM) possam ser disponibilizados para habitação, densificando a cidade e tirando partido dos serviços e mobilidade já instalados, ou seja sem custos de infraestruturas resultantes de áreas de expansão? – Somos a favor da reabilitação consciente dos desafios ambientais, escassez de recursos e aumento de preços, em detrimento da expansão urbana.

    o direito à cidade do Barreiro

    Preocupa-nos o desenquadramento sobre a realidade contextual e o foco das estratégias definidas para a cidade. No Barreiro perto de 80% das rendas com a prestação da casa não ultrapassam os 400€ (Censos 2021). Temos um edificado com mais de 40 anos (70%) com uma qualidade construtiva que tem gastos energéticos significativos e que revela uma inadequação a pessoas com mobilidade reduzida por não ter meios elevatórios. Consideramos que é urgente incluir na discussão da habitação, a qualidade do edificado existente (bastante significativo na cidade), e encontrar soluções de requalificação que garantam a inclusão e condições térmicas nas habitações. 

    Chamamos ainda à atenção para os 4367 fogos sobrelotados na cidade do Barreiro e para o índice de envelhecimento (189,8% em 2019 – pordata) que a curto, médio prazos necessitam recorrer a instituições para resolver as suas necessidades básicas. O que leva as pessoas a morar nestas condições?

    Sendo a habitação um dos pilares de uma sociedade inclusiva, comecemos por alfabetizar habitacionalmente as pessoas através de programas sociais. Empoderar e capacitar as pessoas para a remoção da descriminação nas oportunidades de acesso à habitação. 

    o que se pretende e como se pretende

    E se perguntarmos às comunidades o que necessitam nos seus bairros para que estes funcionem? Como podemos construir essa realidade? Que atores precisamos envolver para fazer acontecer? Podiamos assim contribuir para reformular a forma como olhamos para o custo da venda de imóveis isoladamente e passar a olhar para estes como a riqueza coletiva que co-criámos.

    É necessário pensar a cidade para uma mudança de paradigma, onde todos importam e onde, para manter o teto climático, requer a sua transformação. É necessário torná-las mais resilientes e descarbonizadas relativamente à forma como comemos, vestimos, viajamos, trabalhamos e vivemos. Isto implica um desenho urbano voltado para uma maior conexão social.Junta-te a nós para debatermos modelos mais colaborativos de investimento e responsabilização para definirmos estratégias de ação que tornem a cidade do Barreiro mais sustentável (social, económica e ambientalmente).

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  • Palestina: campo de Refugiados de Jenin atacado

    Em 3 de julho de 2023, os militares israelitas realizaram o maior assalto dos últimos vinte anos ao campo de refugiados de Jenin, na cidade palestiniana de Jenin, na Cisjordânia, ocupada pelos israelitas.

    12 pessoas morreram nestes dois dias, 150 ficaram feridas e 300 foram detidas. Não há água nem luz no campo.

    O governo israelita declarou que o objetivo da operação, denominada “Operação Casa e Jardim”, era atingir “militantes” dentro do campo. As forças israelitas dizem que foi um “sucesso” e que irão voltar a atacar.

    Entretanto a “operação” terminou. Tanto fontes do Hamas como da Palestinian Islamic Jihad caracterizam o fim do ataque como uma vitória da Resistência na Palestina.

    O porta-voz militar do braço armado da Jihad Islâmica, a Brigada al-Quds, afirmou que os combatentes palestinianos transformaram a operação “casa e jardim” de Israel numa “agressão frágil”.

    Numa mensagem de vídeo, Abu Hamza afirmou que a resistência palestiniana no campo “frustrou as tácticas do inimigo”, utilizando engenhos explosivos e emboscadas.

    “O inimigo mobilizou as suas forças fortemente armadas com todos os meios de força a partir do ar e do solo, contra os nossos heróis do Batalhão de Jenin das Brigadas al-Quds”, disse Abu Hamza.

    “A resistência na Cisjordânia e em Jenin resistiu, não foi e não será derrotada diante desse inimigo formidável.”

    O porta-voz do Hamas disse à agência noticiosa palestiniana Maan que a resistência palestiniana em Jenin garantiu a vitória do povo palestiniano contra o ataque israelita ao campo de refugiados.

    “Esta vitória só foi alcançada através da unidade do povo palestiniano e da coragem da resistência, quebrando a força da ocupação israelita e dissipando as suas ilusões e objectivos”, disse Abdellatif al-Qanou.

    Multidões enfurecidas expulsaram três altos funcionários da Autoridade Palestiniana (AP) do cortejo fúnebre dos mortos durante o ataque israelita a Jenin.

    Desiludidos com a incapacidade do organismo que controla algumas zonas da Cisjordânia para fazer frente às forças israelitas, as pessoas entoaram cânticos: “Saiam! Saiam!”

    Imagens nas redes sociais mostraram centenas de pessoas reunidas em frente ao gabinete do governador da AP no início da quarta-feira, atirando pedras às suas paredes de 5 metros de altura.

    As facções palestinianas celebraram a resistência dos combatentes em Jenin e a retirada de Israel.

    O batalhão de Jenin das Brigadas al-Quds declarou: “A vitória foi alcançada”.

    A Jihad Islâmica também elogiou os combatentes, dizendo que o “batalhão de Jenin e os seus combatentes lideraram corajosamente a vitória em Jenin”.

    “Saudação aos combatentes de Jenin e aos seus filhos pela vitória, e apelo à solidariedade para aumentar a sobrevivência do campo”, acrescentou o secretário-geral do grupo.

    As Brigadas al-Qassam, por sua vez, afirmaram que a resistência da Cisjordânia ocupada tornar-se-á “fonte de dor para o inimigo”.

    O campo de refugiados de Jenin foi criado em 1953 para alojar os palestinianos que fugiram ou foram expulsos pelas forças israelitas durante a guerra da Palestina de 1948. Tem uma população estimada em 18.000 pessoas, com uma elevada densidade populacional, estimada em 33.000/km2 pela UNRWA. O campo sofre de elevadas taxas de pobreza e desemprego e enfrenta condições de vida difíceis, em parte devido às restrições israelitas. Tem sido um local frequente de muitos incidentes no conflito israelo-palestiniano.

    O ataque começou na madrugada de 3 de julho e resultou na morte de pelo menos dez palestinianos e em ferimentos em 100 outros. Os militares sublinharam que a operação é “uma de uma série”, limitada à zona do campo de refugiados de Jenin. Cerca de 500 famílias palestinianas foram forçadas ou tiveram de abandonar as suas casas devido ao ataque israelita.

    O assalto foi a maior incursão e projeção de força aérea contra militantes na Cisjordânia em 20 anos, desde os combates durante a Segunda Intifada. Os escalões militares e políticos israelitas parecem ter opiniões divergentes sobre a escala e a intenção da operação.

    Querem castigar o campo de refugiados de Jenin como vingança.

    via: 972 Mag
    Por: Vera Sajrawi
    3 de julho de 2023

    Ahmed Tobasi, do Freedom Theatre, descreve as cenas devastadoras de uma invasão israelita em curso que evoca os dias mais negros da Segunda Intifada.

    “Todas as entradas do campo estão fechadas. As bombas estão a explodir. As balas são disparadas em todas as direcções. Os carros e as estradas estão a ser destruídos. As comunicações foram cortadas e não é possível contactar as pessoas. É uma situação humanitária terrível – não sabemos quem precisa de ajuda e com que urgência”.

    Estas foram as palavras de Ahmed Tobasi, o diretor artístico do famoso Freedom Theatre, que me falou ao telefone no meio de uma ofensiva militar israelita no campo de refugiados de Jenin, onde vivem cerca de 11.000 palestinianos, na Cisjordânia ocupada, na segunda-feira de manhã.

    No final da noite de domingo, as forças israelitas – armadas com aviões e bulldozers – lançaram uma grande operação na zona, que ainda está em curso no momento em que escrevo. As IDF afirmaram que estão a “atacar as infra-estruturas terroristas” na zona e sugeriram que a operação poderá durar vários dias. Até ao momento, foi anunciada a morte de oito palestinianos, enquanto um soldado israelita terá ficado ligeiramente ferido em confrontos com combatentes palestinianos no interior do campo.

    As imagens que circulam nas redes sociais mostram estradas e casas reduzidas a escombros e corpos de palestinianos espalhados na berma da estrada, inacessíveis ao pessoal médico. Com relatos de mais feridos em estado crítico entre os palestinianos, e com as forças israelitas a continuarem a operar em todo o campo durante a tarde de segunda-feira, o número de vítimas parece provável que aumente nas próximas horas.

    A invasão é a mais recente escalada no ataque de Israel contra o que considera “centros de terrorismo” na Cisjordânia, com as cidades de Jenin e Nablus, em particular, a sofrerem o maior impacto nos últimos meses. Há duas semanas, o exército lançou dois ataques aéreos diferentes a partir de um helicóptero Apache e de um drone, nos primeiros ataques deste tipo na Cisjordânia desde o auge da Segunda Intifada, há duas décadas; entretanto, este tipo de guerra aérea tem sido utilizado regularmente na Faixa de Gaza desde o início do bloqueio israelo-egípcio em 2007.
    Combatentes palestinianos vistos durante uma grande operação aérea e terrestre israelita na cidade de Jenin, na Cisjordânia, numa das suas maiores operações militares na cidade em anos, 3 de julho de 2023. (Nasser Ishtayeh/Flash90)
    Combatentes palestinianos vistos durante uma grande operação aérea e terrestre israelita na cidade de Jenin, na Cisjordânia, numa das suas maiores operações militares na cidade em anos, a 3 de julho de 2023. (Nasser Ishtayeh/Flash90)

    Israel intensificou os ataques aéreos em Jenin ontem à noite e esta manhã, antes de lançar uma invasão terrestre em que dezenas de veículos militares blindados bloquearam o campo, prendendo todos os palestinianos no seu interior – civis e combatentes – enquanto várias centenas, senão milhares, de soldados israelitas operavam em toda a área.

    Ao falar com Tobasi esta manhã, a sua linha de telemóvel continuava a falhar enquanto ele se abrigava na sua casa, do outro lado da rua do teatro – que foi criado em 1990 para ensinar aos jovens palestinianos a resistência através da arte e da representação – à entrada do campo. Não tinha Internet, pelo que não era possível fazer uma chamada por WhatsApp e, com acesso apenas a 3G, gravou notas de voz em que se ouviam constantemente tiros e bombardeamentos em segundo plano.

    “Estou na rua principal do campo de refugiados de Jenin, que dá para as entradas ocidental e oriental”, disse por cima do som de uma barragem de balas. “Às 6h da manhã, gigantescos bulldozers militares israelitas começaram a destruir as ruas do campo, especialmente a rua principal e a entrada onde vivo.

    “A visão do que está a acontecer faz-me recuar 20 anos”, continuou, referindo-se à invasão do exército israelita durante a “Operação Escudo Defensivo”, no meio da Segunda Intifada. “É a mesma atmosfera, o mesmo perigo, a mesma destruição. Não temos eletricidade, não temos Internet, partiram as condutas de água, cortaram todos os cabos eléctricos, há franco-atiradores israelitas por todo o lado. Os soldados estão a deslocar-se em grupos de uma casa para outra – a mesma estratégia que utilizaram em 2002”.

    Nesse ano, naquela que ficou conhecida como a “Batalha de Jenin”, os militares israelitas utilizaram tanques, helicópteros e infantaria, causando uma devastação generalizada e pesadas baixas civis. As ruelas estreitas e densamente povoadas do campo constituíam um desafio para as forças israelitas, que utilizaram bulldozers para destruir carros, edifícios e tudo o que se atravessasse no seu caminho, a fim de criar vias através das quais os tanques pudessem entrar.Um comboio do exército israelita visto a entrar em Jenin durante a maior ofensiva israelita na cidade em anos, 3 de julho de 2023. (Nasser Ishtayeh/Flash90)Um comboio do exército israelita é visto a entrar em Jenin durante a maior ofensiva israelita na cidade em anos, a 3 de julho de 2023. (Nasser Ishtayeh/Flash90)

    Durante essa operação, muitas casas foram demolidas ou danificadas e verificou-se que o exército tinha cometido numerosas violações do direito internacional humanitário. Mais tarde, uma investigação da ONU concluiu que 52 palestinianos tinham sido mortos, incluindo militantes e civis, enquanto Israel comunicou a morte de 23 soldados.

    “Até agora, vi três aeronaves não tripuladas e muitos drones nos céus do campo”, disse Tobasi. “Há muito fumo e o som de bombas a vir da direção do teatro.Sinceramente, nem sequer conseguimos olhar pela janela para perceber o que se está a passar lá fora.A situação é tão perigosa que não sabemos realmente a dimensão das múltiplas explosões que estamos sempre a ouvir.A maior parte dos disparos é feita pelo exército, em todas as direcções”.

    Embora as incursões e os ataques israelitas sejam frequentes desde há meses, Tobasi sente que a atual ofensiva é diferente.”Esta não é apenas a operação habitual do exército que eles fazem frequentemente no campo”, explicou.

    “Esta parece que vai durar mais tempo, a julgar pela forma como invadiram o campo e pelos preparativos que têm estado a fazer dentro do campo durante toda a noite.

    por:
    972 Mag – https://www.972mag.com/jenin-camp-invasion-army/

    O campo de refugiados de Jenin foi criado em 1953, albergando palestinianos que fugiram ou foram expulsos pelas forças israelitas na Guerra da Palestina de 1948. Tem uma população estimada em 18 000 pessoas e sofre de elevadas taxas de pobreza e desemprego. Tem sido um local frequente de muitos incidentes no conflito israelo-palestiniano. Desde a escalada da violência israelo-palestiniana na primavera de 2022, o campo de Jenin e a cidade vizinha continuam a ser um foco de tensão. Jenin tem sido historicamente um reduto da resistência armada contra Israel e foi uma fonte significativa de atrito durante a Segunda Intifada. O ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Eli Cohen, descreveu o campo como um “centro de actividades terroristas” e acusa o Irão de financiar os seus militantes.

    Em 2023, o campo de refugiados foi repetidamente alvo das forças israelitas devido à convicção do Governo israelita de que abriga militantes responsáveis por ataques dentro de Israel. O Governo israelita deu prioridade à repressão do campo. A incursão teve lugar no meio de uma violência crescente na Cisjordânia, que incluiu outro confronto violento em Jenin duas semanas antes, um incidente com foguetes com origem na zona, o primeiro ataque de um drone israelita na Cisjordânia desde 2006 e ataques de colonos a aldeias palestinianas.

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  • A Hora Mais Negra 32

    A hora mais negra é um programa de rádio online que passa gêneros de musicas essencialmente tais como: post punk, murderfolk, southern gothic, gótico, darkwave, punkfolk, darkfolk, darkcountry, punk old school, lost punk e industrial….

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  • Carta Aberta por Serviços Sensíveis ao Género 

    Subscreve: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSff2q1C7lRo8xwPuY0CmMJ82q5IBhV0cGaocY5ZkOrco5iQ4A/viewform

    Segue as Manas: https://www.instagram.com/manasaferspace/
    Segue o GAT: https://www.gatportugal.org/

    A 26 de junho assinala-se o dia de ação Apoie. Não Puna[i] (no original Support. Don’t Punish) – é uma campanha global de pessoas que apoiam a redução de danos e as políticas de drogas que dão prioridade aos direitos humanos e à saúde pública. Apoie, Não Puna tem como objetivos: – colocar a redução de danos nas agendas políticas através do reforço da capacidade de mobilização das comunidades de pessoas que usam drogas e dos seus aliados; – abertura do diálogo com os decisores políticos; – sensibilizando os meios de comunicação social e o público.

    Nos últimos anos a Campanha Apoie. Não Puna com Foco nas Mulheres[ii] (SDP FOW, na sigla original) tem sido uma oportunidade para focarmos a atenção nas necessidades específicas das mulheres que usam drogas, nas múltiplas discriminações que as afetam e nas medidas que urge implementar.

    Muito se tem conquistado na luta pelos direitos das pessoas que usam drogas a nível mundial e Portugal em particular tem servido de exemplo pela sua decisão vanguardista de descriminalizar o uso de drogas.

    É o dia de celebrar essas vitórias. Mas é também a altura de refletir sobre abordagens futuras que permitam dar resposta aos inúmeros problemas que persistem e fazer frente às ameaças de retrocesso que surgem ou se adivinham. É neste espírito que redigimos esta carta.

    Advogamos pelos direitos de todas as pessoas que usam drogas, mas nesta carta consideramos urgente chamar a atenção para as discriminações e dificuldades enfrentadas pelas que se identificam como mulheres cisgénero, pessoas trans, não-binárias ou com outra identidade de género não conformista, a que doravante nos referiremos como mulherxs*.

    Entendemos que este grupo de pessoas está particularmente vulnerável – perceção que vemos confirmada em dados nacionais[iii] e estatisticamente, na sua exposição desproporcional ao estigma e à violência[iv], seja na intimidade, na comunidade ou no acesso a serviços públicos[v]. Entendemos também que estas vivências se produzem não só em função do género, mas que se multiplicam através da interação do género com a atribuição racial, classe, capacidade, orientação sexual, religião, idade, entre outros eixos de identidade, plurais e simultâneos, concretizados no conceito de interseccionalidade.

    Acreditamos que o consumo de drogas por si, em público ou privado, não constitui crime, nem doença, mas sim uma fruição do direito ao próprio corpo, à autodeterminação e à vivência do espaço coletivo.

    Cremos que uma narrativa securitária (que pretende enquadrar o consumo de drogas como um problema de segurança pública) e patologizante (que procura retratá-lo, independentemente da forma e contexto, como doença mental) sedimenta a discriminação sistémica e sistemática de que estas pessoas são alvo.

    Por discriminação sistémica entendemos algo estrutural, enraizado no quotidiano, traduzindo-se em estigmatização e marginalização nos sistemas políticos, legais e de saúde. Por se verificar que estas desigualdades e dificuldades são contínuas e constantes, consideramo-las, também, sistemáticas.

    Posto isto, no âmbito das respostas sensíveis ao género e com base nos mais recentes dados nacionais, na mais recente evidência científica e em documentos orientadores de organizações europeias e mundiais, pedimos que sejam tomadas medidas urgentes, incluindo:

    1. Ao poder central

    a) Equidade, participação e representividade das mulherxs* que usam drogas em todas as áreas relevantes, incentivando e apoiando substantivamente o seu envolvimento e liderança na concepção, aplicação e avaliação de políticas e serviços relevantes .

    b) Equidade no acesso à saúde, aos serviços de redução de riscos e minimização de danos e aos recursos de apoio para pessoas que experienciaram violência de género, assegurando que estes integram e refletem a sensibilidade ao género no âmbito e na prestação dos serviços .

    c) Criação de serviços de redução de redução de riscos e de minimização de danos integrados e sensíveis às questões de género e de ambientes institucionais que não julguem, não discriminem, sejam seguros, relevantes e apoiem todas as mulherxs* que usam drogas .

    d) Redução da discriminação e da violência sistémica contra as mulherxs* que usam drogas, incluindo as que vivem com o VIH, as que se dedicam ao trabalho sexual, assegurando simultaneamente mecanismos de denúncia não discriminatórios, acessíveis e seguros .

    e) Co-produção de legislação e recomendações que suportem a criação e disseminação de espaços sensíveis ao trauma para acolher mulher*s que usam drogas, incluindo espaços de acolhimento de emergência.

    f) Defesa do direito à autonomia sobre o corpo das mulheres e das pessoas com identidade de género diversa que usam drogas, incluindo as escolhas relativas a um uso de drogas mais seguro.

    g) Eliminação da discriminação e do encarceramento de mulherxs* envolvidas em infrações não violentas de baixo nível, em conformidade com as Regras de Banguecoque  – ou seja, que pessoas que usam drogas ou que estejam inseridas no tráfico não violento não sejam condenadas a penas de prisão e que os contextos de múltiplas sobrevivências sejam tidos em conta nos processos penais .

    h) Pôr termo à utilização do uso de drogas como motivo de invasão ou perturbação da privacidade, da vida familiar ou doméstica.

    i) Salvaguarda efetiva dos direitos custodiais maternos de modo a que, na ausência de maus tratos físicos ou negligência, o apoio materno e a prestação de cuidados às crianças se tornem respostas normais.

    j) Consideração da dimensão do género na orçamentação e a inclusão de ações concretas para mulherxs* nos planos nacionais, concursos para financiamento público ou mesmo a abertura de concursos específicos, assegurando que até 2026, 80% dos serviços para as mulherxs*, incluindo serviços de prevenção para as mulheres em risco acrescido de contrair o VIH, bem como programas e serviços de acesso ao teste do VIH, ligação ao tratamento, apoio à adesão e retenção, redução ou eliminação da violência contra as mulherxs*, redução ou eliminação do estigma e da discriminação relacionados com o VIH entre as mulherxs* que usam drogas, literacia jurídica e serviços jurídicos específicos para questões relacionadas com  mulherxs* que usam drogas, são prestadas por organizações comunitárias dirigidas por mulheres .

    k) Atribuição de recursos e financiamento a longo prazo a serviços e redes de redução de danos que sejam dirigidos por mulheres e pessoas de identidade de género diversa que consomem drogas e que envolvam significativamente essas pessoas, e que se baseiem em cuidados, solidariedade e autonomia individual, incluindo

    l) Inclusão de análises e indicadores de género e interseccionais nos estudos epidemiológicos na área das drogas.

    2. Poder regional e local

    a)    Assegurar que até 2026, 80% dos serviços para as mulherxs*, incluindo serviços de prevenção para as mulheres em risco acrescido de contrair o VIH e VHC, bem como programas e serviços de acesso ao teste do VIH e VHC, ligação ao tratamento, apoio à adesão e retenção, redução ou eliminação da violência contra as mulherxs* que usam drogas, redução ou eliminação do estigma e da discriminação relacionados com o VIH entre as mulherxs* que usam drogas, literacia jurídica e serviços jurídicos específicos para questões relacionadas com as mulherxs* que usam drogas, são prestadas por organizações comunitárias dirigidas por mulherxs*[xiii].

    b)    Assegurar que até 2026, 60% dos programas que apoiam a facilitação de promoção social, incluindo programas destinados a reduzir ou eliminar o estigma e a discriminação relacionados com o VIH; sensibilização para promover ambientes jurídicos favoráveis; programas de literacia jurídica e de ligação a apoio jurídico; e a redução ou eliminação da violência com base no género, são realizados por organizações lideradas pela comunidade de pessoas afetadas.[xiv]

    c)    Apoio à prevenção da violência de género, bem como serviços de sobrevivência para as mulherxs* que usam drogas através de respostas de redução de danos.

    d)   Implementar redes de recursos de violência de género desenvolvidas e implementadas pelas autarquias que integrem abordagem específicas para mulherxs* que usam drogas e/ou que fazem trabalho sexual, que vivem com VIH e que experienciam outras situações de vulnerabilidade.

    e)    Garantir a disponibilidade de espaços seguros e sensíveis ao trauma para de acolhimento e alojamento de emergência, adaptado às necessidades de saúde específicas das mulherxs* que usam drogas, fazem trabalho sexual, que vivem com VIH e que experienciam outras situações de vulnerabilidade.

    f)   Consolidar redes territoriais colaborativas para responder às necessidades complexas de mulherxs* que usam drogas, que articulem respostas na área das drogas, saúde sexual e reprodutiva, saúde mental, respostas de apoio a pessoas que experienciaram violência de género e apoio social.

    g)    Contribuir para os diagnósticos territoriais com perspectiva de género, que descrevam e incluam indicadores e necessidades específicas de mulherxs* que usam drogas.

    h)  Criar e fomentar espaços de acolhimento para mulherxs* que usam drogas e seus filhos, com base no feminismo interseccional, direitos humanos e das políticas de cuidado e éticas “do no harm”, incluindo espaços mais seguros, incluindo para as trabalhadoras do sexo, mulheres que vivem com VIH, etc- l[xv].

    3. Profissionais e serviços

    a)    Focar a intervenção em abordagens centradas nas pessoas utilizadoras de serviços (as suas necessidades, experiências, processos de vulnerabilização e exposição ao risco) e não apenas nos riscos associados ao uso de determinadas drogas[xvi].

    b)    Garantir que os cuidados de saúde, incluindo aqueles dirigidos para pessoas grávidas, acolhem todes a necessitar de tratamento ou cuidado, independentemente do uso de drogas que fazem, devendo também estas infraestruturas possuir elementos de redução de riscos, incluindo Tratamento por Substituição Opiácea.

    c)    Formar adequadamente técnicos e pares que trabalham nos serviços de atendimentos primários (gabinetes de apoio à vítima, centros de saúde, hospitais, etc.) para o acolhimento específico desta população.

    d)    Formar adequada das forças policiais e autoridades de saúde para a abordagem de pessoas que usam drogas sobreviventes a múltiplas violências, incluindo medidas de redução de riscos e minimização de danos.

    e)    Disponibilizar de apoio à guarda de crianças nos serviços para mulherxs* que usam drogas.

    f)     Disponibilizar horários específicos de atendimento, considerando as múltiplas vulnerabilidades a que estas mulherxs* são expostas, garantindo um serviço descentralizado de atendimentos sociais e de saúde, incluindo respostas de saúde sexual e reprodutiva, de saúde mental e de promoção do empoderamento e da participação cívica; e a expansão dos cuidados de saúde em locais fixos de modo a incluir serviços de proximidade móveis, com horários flexíveis.

    g) Distribuição de recursos informativos, educativos e de comunicação específicos.

    h) Adotar uma abordagem transversal a todos os serviços de violência de género e redução de riscos no âmbito da melhoria da referenciação e acolhimento também de vítimas de violência de género, que usam drogas e sobrevivem a múltiplas vulnerabilidades fomentando a formação de profissionais de saúde e mediadores de pares para um acolhimento inclusivo e transdisciplinar.

    Notas e Referências

    [i] Ver https://supportdontpunish.org/

    [ii] Ver relatórios das Campanhas em anos anteriores  2019 : 2020 : 2021 : 2022

    [iii] Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) (2018). Padrões de Consumo e Problemas Ligados ao Uso de Drogas Uma Análise em Função do Género. Disponível em

    [iv] Stoicescu C, Richer A,  Gilbert L (2021) Nexus of Risk: The Co-occurring Problems of Gender-based Violence, HIV and Drug Use Among Women and Adolescent Girls. The Impact of Global Drug Policy on Women: Shifting the Needle, 49–57.

    [v] Nougier, M. (2016) The Portuguese model for decriminalising drug use. Gender and drug policy: Exploring innovative approaches in drug policy and incarceration. IDPC, WOLA, Dejusticia, COM.

    [vi] UNAIDS (2021). Global AIDS Strategy 2021–2026. End inequalities.End AIDS. Disponível em https://www.unaids.org/en/resources/documents/2021/2021-2026-global-AIDS-strategy

    [vi] UNODC (2015). Addressing the specific needs of women who inject drugs. Practical Guide. Disponível em https://www.unodc.org/documents/hivaids/2016/Addressing_the_specific_needs_of_women_who_inject_drugs_Practical_guide_for_service_providers_on_gender-responsive_HIV_services.pdf.

    [vii] Pompidou Group (2016). Improving the Management of Violence Experienced by Women who Use Psychoactive Substances. Disponível em https://www.drugsandalcohol.ie/25383/1/Pompidou_Women_Drugs_and_Violence_en.pdf

    [viii] Shirley-Beavan S, Roig A, Burke-Shyne N, Daniels C, Csak R (2020), Women and barriers to harm reduction services: a literature review and initial findings from a qualitative study in Barcelona, Spain, Harm Reduction Journal, 17(1):78.

    [ix] Group of Experts on Action against Violence against Women and Domestic Violence (GREVIO) (2019). GREVIO’s (Baseline) Evaluation Report on legislative and other measures giving effect to the provisions of the Council of Europe Convention on Preventing and Combating Violence against Women and Domestic Violence (Istanbul Convention). Disponível em https://rm.coe.int/grevio-reprt-on-portugal/168091f16f

    [x] Bangkok Rules, disponível em https://www.unodc.org/documents/justice-and-prison-reform/Bangkok_Rules_ENG_22032015.pdf

    [xi] OHCHR (2019) Portuguese Survey – In reference to HRC resolution 42/22 requesting a study on arbitrary detention relating to drug policies.

    [xi] Shirley-Beavan S, Roig A, Burke-Shyne N, Daniels C, Csak R (2020), Women and barriers to harm reduction services: a literature review and initial findings from a qualitative study in Barcelona, Spain, Harm Reduction Journal, 17(1).

    [xii] UNAIDS (2021). Global AIDS Strategy 2021–2026. End inequalities.End AIDS. Disponível em https://www.unaids.org/en/resources/documents/2021/2021-2026-global-AIDS-strategy

    [xiii] Idem

    [xiv] Idem

    [xv] Shirley-Beavan S, Roig A, Burke-Shyne N, Daniels C, Csak R (2020), Women and barriers to harm reduction services: a literature review and initial findings from a qualitative study in Barcelona, Spain, Harm Reduction Journal, 17(1).

    Portugal, 26 de junho de 2023