Ontem 500 artistas foram despejades do Centro Comercial STOP.
104 lojas com salas de ensaio e espaços culturais foram encerradas pela Polícia numa operação algo estanha, talvez ilegal, a mando da Câmara Municipal do Porto. Os artistas reclamam e protestam contra uma atitude autoritária da câmara que os tem vindo a ignorar há anos.
Um problema que se arrasta há décadas sem soluções à vista. O Centro agora é alvo de especulação financeira, e infelizmente, alguns dos artistas envolvidos, como Manel Cruz, são acusados de procurar benefícios para si, ao desenharem projectos descabidos, em deterimento da comunidade. As pessoas que agora dizem representar o STOP são as mesmas que gentrificaram o mercado do Bolhão, incluíndo a equipa do advogado Salazar.
Ouvimos os artistas e as pessoas nas ruas durante a manifestação espontânea que surgiu ao longo da tarde.
Não devia ser necessário desmentir Rui Moreira, já sabemos que mente.
O STOP está localizado num quarteirão contínuo à chamada Quinta do Ferro.
Desenharam um lindo projecto, com palmeiras e muita madeira. O relatório final está disponível. “Em termos programáticos pretende-se a concepção de um hotel, de apartamentos turísticos e de habitação acessível, nos termos do estabelecido no Programa Preliminar do concurso.”
A hora mais negra é um programa de rádio online que passa gêneros de musicas essencialmente tais como: post punk, murderfolk, southern gothic, gótico, darkwave, punkfolk, darkfolk, darkcountry, punk old school, lost punk e industrial e outras cenas……
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Mais de cem lojistas e músicos estão a ser retirados do Centro Comercial Stop, no Porto, nesta terça-feira de manhã. Entre os espaços a serem encerrados estão estúdios, lojas e cafés, cujos ocupantes dizem não terem sido avisados da operação, que conta com a participação da PSP. No total, há 126 lojas no local.
Mariana Costa, que tem um estúdio no Stop, contou ao JN que não foi autorizada a retirar o material que tem na loja que tem no centro comercial. O mesmo afirma Bruno Costa, que é o inquilino de uma sala de ensaios utilizada por três bandas e presidente da associação Alma Stop. “Foi um choque completo. Não havia indicação nenhuma. Há tantos músicos com tanto material aqui, que acaba por significar milhares de euros”, explicou, na rua, em frente à linha de agentes da PSP que impede a passagem de pessoas.
Leitão da Silva, comandante da Polícia Municipal do Porto, explicou ao JN que quem não conseguiu tirar bens das lojas poderá formalizar ainda hoje um pedido para que o selo seja quebrado e poder aceder ao espaço. Todo o recheio das lojas poderá ser retirado.
Apesar da presença da PSP, a selagem das lojas está a ser feita pela Polícia Municipal. Segundo a Câmara do Porto, em comunicado, as 105 lojas foram encerradas por falta de licenciamento. “As 21 lojas que possuem as devidas licenças de utilização poderão continuar a funcionar normalmente, não se tratando este de um processo de encerramento do Centro Comercial”, clarifica o município, que fala num processo de dez anos, com um “acumular de queixas por parte da vizinhança”.
“A maior parte do pessoal que está aqui, que são cerca de 450 pessoas, quase 500 pessoas, não têm para onde ir. Não têm locais para poder fazer barulho, para poderem estar o tempo que quiserem, que é o que tem de bom isto [o centro comercial Stop]”, disse à Lusa o presidente da Associação de Músicos do Centro Comercial Stop, Rui Guerra, à porta do estabelecimento.
Nas últimas duas décadas, o Stop tornou-se na casa de várias bandas, que lá têm estúdios e salas de ensaio. Nos últimos meses de 2022, o JN noticiou que o centro comercial poderá vir a fechar portas.
Em novembro desse ano, Rui Moreira afirmou que a autarquia estava disponível a acolher os músicos do Stop em dois pisos do Silo Auto.
De acordo com informação partilhada pelo município no início deste ano, o centro comercial Stop não cumpre os requisitos previstos no Regime Jurídico da Segurança contra Incêndios em Edifícios, pelo que para regularizar a situação “terão de ser realizadas obras com custos significativos, considerados até agora incomportáveis para o grupo de músicos que liderou os vários processos tendentes à regularização”.
O Centro Comercial Stop há mais de vinte anos que se tornou num enorme Centro Cultural Stop, dando dessa forma espaço de abrigo, diversidade e riqueza cultural à cidade, ao país e ao mundo pelos projetos musicais e artísticos que os seus frequentadores regulares lá criaram, produziram, gravaram e planeiam tantos outros futuros projetos.
O Centro Comercial Stop, agora e mais que nunca, precisa da ajuda de um timoneiro “afinador de notas” que precisam de ser afinadas para dar continuidade à expansão da cultura do Porto.
Esta cidade Invicta que viu nascer um “Glorioso escritor” e impulsionador da edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática ao nosso ver não pode deixar de seguir o exemplo da importante dedicação que Almeida Garrett tinha com a cultura.
Os mais de quinhentos músicos, artistas, técnicos e todos os que fazem do Centro Cultural Stop a sua colmeia durante muitas e longas horas de trabalho precisam de ajuda para que a sua rainha não deixe de produzir a sua fina multiplicidade cultural.
O Centro Comercial Stop quase que pode ser considerado um monumento situado na Rua do Heroísmo, e é um monumento edificado pelos milhares de artistas que por lá já passaram, e pelas muitas almas, géneros, estilos e linguagens de tantas variadas formas de comunicação cultural, que já foi destacado pela imprensa nacional e internacional como um “case study” na Europa, por ser o único edifício comercial que se transformou num verdadeiro caso cultural a grande escala.
Com as desorientações do passado, nós que por lá nos cruzamos em troca de ideias, trabalho e conversas produtivas nos vindouros projetos juntaremos as peças do puzzle para que os documentos necessários possam chegar a quem não nos force a desligar os instrumentos ou pousar a caneta.
Em primeiro lugar, pedimos que passem a informação sobre o requerimento: aos mais de 500 músicos que têm material barricado dentro do estabelecimento.
Há 10 anos que este processo se arrasta com a Câmara Municipal do Porto. Mas o que a CM Porto fez hoje sem aviso prévio, só veio, uma vez mais, reforçar a falta de caráter de Rui Moreira e compinchas.
Existe perante quem nos governa uma falta de noção e empatia cultural, tremendas! Não basta a Música em Portugal ser um negócio para meia dúzia de tubarões e uma atividade de esmolas para a maioria… agora, até quem trabalha por uma côdea tem de fazer um requerimento para recuperar material.🤦🏻♀️🤦🏻♂️🤦🏻
E parabéns ao trabalho de subordinação da PSP. Podem ter orgulho de estar sempre do lado “legal e certo” da História. Fica-vos sempre muito bem serem o pau mandado da mão governamental.
Este tipo de atitude passivo-agressiva polariza e cria extremismos. Até já temos 4 fantoches desses com assento parlamentar. Mas no fundo, até é isso que eles todos querem…
Ativistas entregaram a petição no ministério das infraestruturas, vestidxs de pijama.
Em Março de 2020, os últimos comboios noturnos percorreram a rota Lisboa-Madrid-Hendaye, ligando a capital portuguesa à espanhola, e à fronteira francesa. Em Maio, a Renfe anunciou o fim dessas ligações. Esta política vai contra a tendência atual na Europa, onde os comboios noturnos estão, de facto, a experimentar um revivalismo , com novas ligações planeadas como Roma – Amesterdão, Viena – Munique – Paris, Zurique – Amesterdão, Berlim – Bruxelas, Berlim – Paris a serem estabelecidas, como mostra a figura abaixo. De facto, o governo alemão propôs o TEE 2.0 que consiste numa rede mais ampla de comboios noturnos na Europa Central.
O cancelamento dessas ligações é um problema por algumas razões:
Deslocará ainda mais potenciais passageiros para a aviação, que é um importante contribuinte para as alterações climáticas, estimulando o crescimento das emissões de gases com efeito de estufa;
Reduz o leque de escolhas do consumidor, impedindo qualquer alternativa ecológica e confortável para viagens longas.
Porque é que isto é tão importante?
A principal razão para o revivalismo dos comboios noturnos é a Emergência Climática, que precisa de ser enfrentada urgentemente. Estamos a desestabilizar o equilíbrio do planeta a um ritmo alarmante e é necessário tomar medidas para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, antes que reações climáticas em cadeia danosas se façam sentir ou fiquem piores.
A aviação, um dos meios de transporte mais populares atualmente, é também um dos principais emissores. De facto, estima-se que contribui com cerca de 5% para as alterações climáticas e, devido ao crescimento da indústria aeronáutica, espera-se que a percentagem aumente rapidamente, Os poluentes emitidos por esta indústria vêm sob a forma de CO2, óxidos de azoto (NOx), partículas em suspensão e formação de esteiras de condensação/cirrus. Não só são nocivos para o ambiente, como também para a nossa saúde nas proximidades dos aeroportos.
Vantagens e importância dos comboios noturnos:
Amigos do clima e do ambiente – Os comboios são um dos modos de transporte mais ecológicos, com pequenas emissões de gases com efeito de estufa. Isto tornar-se-á um argumento cada vez mais forte, à medida que os países trocam a geração de energia de fontes fósseis para fontes verdes. Em Espanha, os caminhos-de-ferro são 100% abastecidos por energia renovável certificada, resultando em emissões praticamente nulas. Além disso, apresentam também outros benefícios ambientais, tais como a redução da poluição sonora e uma menor necessidade de uso de solo para os aeroportos.
Conforto – Embora não sejam os mais rápidos, são o meio de transporte mais confortável, sendo atribuído consideravelmente mais espaço por passageiro do que na aviação, o principal meio de transporte de longo curso concorrente.
Flexibilidade – São adequados para diferentes tipos de viagens (lazer, família, negócios) e vão ao encontro de uma vasta gama de necessidades. Desde jovens que viajam da forma mais económica possível, até homens de negócios que exigem conforto com cabines privadas interligadas e, inclusive, famílias que podem reservar um compartimento inteiro de beliches.
Podem simplificar a viagem – Evitam algum tempo e inconvenientes ao viajar de avião: a necessidade de viajar para o aeroporto, frequentemente fora da cidade (acrescentando tempo e custos); a necessidade de check-in de bagagem com antecedência; tempos de espera de bagagem no aeroporto de destino.
Além disso, podem poupar uma noite num hotel quando há orçamentos apertados e podem ainda evitar noites de sono insuficiente ou noites passadas num aeroporto quando os voos de baixo custo partem muito cedo pela manhã, o que é muito frequentemente.
Alcance – Permitem distâncias de viagem mais longas do que os comboios de alta velocidade.
Experiência – São uma forma única de viajar e também propícia ao convívio: os encontros acontecem facilmente e conversar com o seu vizinho que dorme no beliche torna-se muito natural. Isto torna possível conhecer novas pessoas, algo que já não acontece com tanta frequência em aviões, autocarros ou mesmo em comboios de dia. É também uma boa forma de conciliar horários ocupados com o trabalho, escola e viagens mais longas que devem ser feitas por comboio diurno.
Investimento em infraestruturas – Ao contrário dos comboios de alta velocidade, os comboios noturnos normalmente não requerem um elevado investimento em infraestruturas uma vez que a rede já existe. Em vez disso, só é necessário investir em material circulante, quando este é necessário o que permite reduções de custos.
Economicamente viáveis – Têm uma grande capacidade e uma boa taxa de ocupação. São economicamente viáveis, tal como demonstrado pela empresa (ÖBB, o principal operador ferroviário federal austríaco), que tem sido uma das principais entidades a aumentar a sua oferta de comboios noturnos.
Um documento (em inglês) contendo argumentos e explicações adicionais está disponível aqui.
Pedimos aos governos espanhol, francês e português (este último está agora a assumir a presidência do Conselho da UE, na primeira metade de 2021 – O Ano Europeu dos Caminhos-de-Ferro) que considerem não só retomar a ligação ferroviária noturna Portugal-França recentemente interrompida, mas também alargá-la a um grande eixo ferroviário na Europa, como Paris (ou potencialmente Bruxelas), em vez de chegar apenas a Hendaye na fronteira franco-espanhola.
Instamos os governos espanhol e português a ordenar às suas empresas ferroviárias nacionais que adiram à declaração de 8 de Dezembro feita pela SNCF, DB, ÖBB e SBB a favor da construção de uma nova rede europeia de comboios noturnos.
Além disso, pedimos ao governo espanhol que estude novas ligações ferroviárias nocturnas entre a Península Ibérica e a Europa Central e Oriental, tais como Barcelona-Frankfurt-Berlin e Barcelona-Milão-Roma.
festas do pijama pelos comboios noturnos e internacionais
Na passada quinta feira, a ATERRA foi recebida durante 30 minutos pelo Ministro das Infraestruturas, João Galamba, e pelo Secretário de Estado, Frederico Francisco, para dar voz a mais de 9 mil pessoas que exigem a reposição dos comboios noturnos entre Portugal, Espanha e França.
Uma petição internacional lançada pela rede Back on Track depois de, em março de 2020, o Sud Expresso (Lisboa-Hendaye) e o Lusitânia (Lisboa-Madrid) terem sido suspensos a pretexto da pandemia da Covid-19, tornando Portugal uma ilha isolada no mapa ferroviário europeu.
Em nome do movimento ATERRA, e vestidos de pijama, Anne e Hans aproveitaram a oportunidade para lembrar aos governantes que se trata de uma luta conjunta entre coletivos em Portugal, Espanha e França, com encontros da Alianza Ibérica por el Ferrocarril no Ministério de Transportes espanhol, e do coletivo francês Oui au train de nuit no respetivo ministério.
Os governantes expuseram a sua preocupação com a viabilidade financeira do serviço, argumento que não pode colher face aos subsídios públicos desmedidos que a aviação recebe, nomeadamente pela isenção de impostos sobre o combustível e pelos resgates financeiros no contexto da pandemia.
A ATERRA lembrou que:
a reposição dos comboios noturnos não exige a construção demorada de novas infraestruturas, porque se podem aproveitar as linhas existentes no horário noturno
é urgente recuperar os comboios noturnos que conectam a Península Ibérica com a Europa, e há uma procura social por estes serviços como forma de mobilidade eficiente e sustentável.
os comboios noturnos estão a renascer Europa fora, com novas ligações como Roma – Amesterdão, Viena – Munique – Paris, Zurique – Amesterdão, Berlim – Bruxelas, Berlim – Paris a serem estabelecidas.
a aviação é o modo de transporte com as maiores emissões de gases com efeito de estufa por passageiro-km, sendo a ferrovia uma alternativa ecológica e confortável para viagens longas.
A hora mais negra é um programa de rádio online que passa gêneros de musicas essencialmente tais como: post punk, murderfolk, southern gothic, gótico, punkfolk, darkfolk, darkcountry, punk old school, lost punk e industrial….
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Este artigo foi publicado originalmente na Crimethinc. em 02-07-2023
O seguinte texto foi enviado por camaradas franceses no terceiro dia de tumultos após o assassinato do adolescente Nahel Merzouk pela polícia francesa na cidade de Nanterre, um subúrbio de Paris. Ele fornece uma análise da situação e uma visão geral da luta contra a brutalidade policial na França, iniciada na década de 1970.
Hoje, esse movimento enfrenta uma intensa repressão nas ruas, na mídia e nos tribunais. Até o momento, pelo menos três pessoas foram mortas além de Nahel. Em vez de focar no desdobramento da polícia militar especializada em todo o país, preferimos começar com os esforços dos jovens que estão arriscando suas vidas para se levantar por Nahel e por si próprios.
Nas ruas, muitas pessoas dizem que os sentimentos de raiva e a intensidade da luta lembram os distúrbios de 2005. Assim como esses distúrbios ocorreram após o movimento estudantil de 2005, essa verdadeira revolta seguiu o poderoso movimento contra a reforma da previdência imposta pelo presidente Emmanuel Macron, que enfrentou uma repressão sem precedentes na primavera. Apesar das enormes alocações de recursos e da verdadeira impunidade legal, a polícia na França parece estar perdendo tanto sua legitimidade percebida quanto sua capacidade de intimidar grandes setores do público à passividade.
Justiça por Nahel
Em 27 de junho de 2023, Nahel Merzouk, 17 anos de idade, estava dirigindo um carro em Nanterre quando policiais de moto o pararam para uma verificação na estrada e o assassinaram a sangue frio. Como um dos passageiros descreveu mais tarde, um policial ameaçou Nahel: “Não se mexa, senão vou colocar uma bala na sua cabeça.” Em seguida, ambos os policiais o agrediram pela janela aberta do carro. Atordoado pelos golpes, Nahel soltou acidentalmente o freio e acelerou, momento em que um dos policiais atirou e o matou. Sabemos de tudo isso porque quase toda a cena foi filmada.
O vídeo do assassinato de Nahel rapidamente se tornou viral nas redes sociais, que desempenharam um papel fundamental nos tumultos subsequentes. As pessoas reagiram rapidamente nas ruas.
A partir daquela primeira noite, em 27 de junho, violentos confrontos eclodiram em bairros predominantemente imigrantes em Nanterre e outros subúrbios de Paris (Mantes-la-Jolie, Boulogne-Billancourt, Clichy-sous-Bois, Colombes, Asnières, Montfermeil) e em toda a França (Roubaix, Lille, Bordeaux…). Em 28 de junho, apesar dos políticos reconhecerem a natureza hedionda desse assassinato e o governo e as franjas moderadas da esquerda apelarem pela paz, a revolta se espalhou para outras cidades (Neuilly sur Marne, Clamart, Wattrelos, Bagnolet, Montreuil, Saint Denis, Dammarie les Lys, Toulouse, Marselha…). Enquanto isso, a família de Nahel criou um “Comitê Verdade e Justiça” com a assistência de Assa Traoré (cujo irmão foi brutalmente morto pela polícia em 2016) e ex-militantes do “Movimento de Imigração e Subúrbios” (MIB). A mãe de Nahel, um exemplo de dignidade e coragem, convocou uma grande “marche blanche” (“marcha branca”) em Nanterre, marcada para a tarde de 29 de junho.
Na manhã de 29 de junho, o governo declarou que estava abrindo uma investigação para determinar se o policial que assassinou Nahel cometeu homicídio voluntário. Isso aparentemente não dissuadiu as pessoas de participarem da marcha.
Essa grande marcha reuniu cerca de 15.000 pessoas. Elas refizeram a última rota de Nahel, marchando ao ritmo de slogans como “Todos odeiam a polícia”, “Policial, estuprador, assassino” e “Justiça por Nahel”. Um cartaz dizia: “Quantos outros Nahels não foram filmados?”
A partir desse momento, ficou óbvio que a morte de Nahel foi um grande choque e que muitos dos manifestantes estavam marchando em solidariedade com a família da vítima. Mas as demandas também se referiam a algo muito mais amplo: o papel da polícia em nossa sociedade. Como se estivessem cientes disso, os policiais decidiram dispersar essa marcha pacífica quando ela chegou à Préfecture (a filial regional do governo central) em Nanterre, desencadeando uma nova onda de confrontos que se espalhou até o distrito comercial chique de La Défense. “Se eles não nos deixarem fazer a marcha, vamos foder tudo” foi a mensagem ouvida entre os jovens tumultuadores.
Seria impossível listar todos os distritos e cidades que se juntaram ao movimento na noite de 29 de junho, pois foram muitos. Indiferente ao anúncio de que o governo investigaria o assassinato, essa terceira noite de tumultos deu ao movimento uma escala sem precedentes. Os jeunes de quartiers (como a mídia e os políticos frequentemente se referem a eles – equivalente a “jovens dos projetos”) incendiaram carros, motos e scooters, além de prédios públicos, incluindo delegacias de polícia locais e nacionais, escolas, bibliotecas municipais, prefeituras e câmaras municipais. Eles destruíram mobiliário urbano, saquearam supermercados e incendiaram canteiros de obras, além de utilizarem fogos de artifício nos confrontos com a polícia. Ao longo dos últimos anos, esses se tornaram as armas de autodefesa preferidas entre os jovens que são submetidos a assédio diário e operações policiais arbitrárias.
Essa insurreição em todo o país não surgiu do nada. É espontânea, no sentido de que é amplamente horizontal, imprevisível e está constantemente inventando novas formas de resistência de acordo com as aspirações que a impulsionam. Mas essa revolta também surge como resposta à forma como o estado tem gerenciado a imigração pós-colonial.
O Contexto da Revolta
Desde a década de 1960, o estado francês se aproveitou de uma força de trabalho “importada” de suas ex-colônias do norte e oeste da África. O plano inicial não era para esses trabalhadores construírem uma vida e se estabelecerem na França. Eles foram confinados em áreas específicas: primeiro, em favelas e depois em Projetos – “cités” – na periferia dos principais centros urbanos. Essas áreas passaram a ser conhecidas como “banlieues”.
Nos anos 1970, quando ficou óbvio que os trabalhadores negros e árabes faziam parte permanente da população da França, eles se tornaram um problema político. Os partidos políticos que se sucederam no poder adotaram uma política de exceção. O objetivo era manter as fronteiras raciais e controlar uma categoria de pessoas constantemente vigiadas e descritas como uma ameaça à ordem social. Consequentemente, os bairros imigrantes de classe trabalhadora têm sido administrados principalmente por meio da polícia. A polícia (e as prefeituras às quais a polícia local é subordinada) são quase exclusivamente responsáveis por gerenciar e controlar as atividades do dia a dia nas “cités”, que se tornaram locais de experimentação para o próprio estilo policial francês.
Os habitantes desses bairros sofrem humilhação, intimidação e retaliação da polícia diariamente. Além de serem excluídos da vida política do país, jovens de origem imigrante são constantemente controlados, insultados e presos. Da mesma forma, todas as atividades e comércios que os mais precários dependem para sobreviver são fortemente criminalizados.
Os tumultos também devem ser entendidos no contexto da longa história de assassinatos policiais motivados por questões raciais na França. Na França, assim como nos Estados Unidos, o uso gratuito de violência contra indivíduos que são excluídos da concepção dominante de humanidade é um dos mecanismos que produzem e mantêm categorias raciais. A polícia matou centenas de jovens negros e árabes desde a década de 1970. Em parte, isso é resultado da intensa e contínua presença policial em bairros imigrantes; mais genericamente, é uma consequência material do racismo estrutural que define a relação entre o estado francês e os jovens cujas famílias imigraram para a França após a década de 1960, no contexto do gradual desmantelamento do império colonial francês.
Por décadas, pessoas nos quartiers (literalmente, “bairros”) assumiram posições políticas explícitas contra a violência policial. Em 1983, as pessoas organizaram a “Marche pour l’Egalité” (Marcha pela Igualdade) em resposta a uma série de assassinatos policiais nos subúrbios de Lyon e Marselha. Grandes tumultos têm ocorrido a cada dez anos desde 1979 na cidade de Vaulx-en-Velin, um símbolo da violência policial patrocinada pelo estado contra jovens não brancos. Criado em 1995, o “Mouvement Immigration Banlieue” lutou pela “verdade e justiça” para as famílias das vítimas de “erros policiais” (o eufemismo que apologistas usam para descrever atos de extrema brutalidade policial). Era uma organização autônoma auto-organizada que rejeitava os discursos dos principais partidos políticos. Em 2000, ela foi despejada de seu espaço em Paris.
Em 2005, uma insurreição eclodiu depois que dois adolescentes, Zyed Benna e Bouna Traoré, morreram após serem perseguidos e assediados pela polícia em Clichy-sous-Bois, no norte de Paris. Entre muitos outros, lembramos de Lamine Dieng, que foi assassinado pela polícia em 2005; Adama Traoré, assassinado pela polícia em 2016; Théo Luhaka, violad_ pela polícia em 2017; Ibrahima Bah, morto pela polícia em 2019.
É o mesmo cenário todas as vezes: a polícia comete assassinato e, em seguida, mente para se proteger. Às vezes, um vídeo ou um protesto desafia a narrativa policial, fornecendo evidências suficientes para forçar as autoridades a abrir um caso contra o assassino. Mas os processos legais contra os policiais quase nunca resultam em condenação. Na França, a lei serve aos interesses do estado; na prática, a polícia goza de total liberdade e imunidade legal.
Nos últimos dias, vimos, mais uma vez, que o estado protege aqueles que o defendem. Quando o paramédico que tratou Nahel depois que ele foi baleado no peito revelou o nome do policial que o assassinou para a imprensa, ele foi imediatamente condenado a 18 meses de prisão.
No Contexto de uma Luta Social crescente
Para entender esses tumultos, também devemos vê-los no contexto da luta de classes contemporânea na França. Desde 2016, a França tem vivenciado um movimento social ou onda de agitação em nível nacional quase todos os anos. Os tumultos se tornaram uma parte integral da linguagem política francesa, e o que estamos vendo em 2023 pode ser a expressão mais radical disso até o momento.
Em outras palavras, em vista de quão impopulares foram as políticas neoliberais implementadas à força na França desde 2016, os governos de François Hollande e Emmanuel Macron só conseguiram se manter no poder graças à violência policial. Por entenderem as relações de poder que conectam o estado, o governo, a polícia e a população, os sindicatos de polícia de direita e fascistas se organizaram metodicamente para concentrar cada vez mais os benefícios sociais em suas mãos, bem como os meios tecnológicos e legais para infligir violência a todos os outros.
Por exemplo, em 2017, uma lei deu à polícia o direito (e, portanto, o incentivo) de usar armas de fogo quando um indivíduo se recusa a cooperar. A consequência direta dessa lei foi um aumento dramático no número anual de assassinatos pela polícia. Antes de 2017, a polícia (oficialmente) matava de 15 a 20 jovens negros e árabes a cada ano; esse número subiu para 51 em 2021 e tem sido uma média de 40 desde então.
De modo geral, tem havido cada vez mais contratações anuais de novos policiais, com cada vez mais equipamentos à disposição. A polícia militarizada inflige repressão sistemática aos movimentos sociais; a cada vez mais acelerada militarização da polícia é um dos fatores que explicam a sensação de impotência que caracteriza alguns esquerdistas na França. Concretamente, isso cria circunstâncias de vida tensas e precárias para muitos, especialmente para as mulheres que vivem em bairros imigrantes. Nossas mães.
O Tumulto
Em relação à atual onda de tumultos, só posso falar da minha posição, descrevendo o que vi na cidade onde moro, nos subúrbios próximos a Paris.
O movimento tem usado três táticas principais, todas muito eficazes: confrontos violentos com a polícia, destruição de “símbolos” da República e saques.
Os confrontos com a polícia ocorreram principalmente nos projetos, os quartiers. “Incendeiem-nos!” Todos já viram essas imagens: os policiais são atacados com fogos de artifício, coquetéis molotov, pedras e mobiliário urbano por pessoas vestidas de preto, muitas vezes muito jovens. Algumas das ações ofensivas que ocorreram à noite podem estar menos motivadas pela solidariedade a Nahel em particular do que por um desejo mais geral de se vingar daqueles que controlam, humilham e espancam pessoas todos os dias. É como se o equilíbrio de poder temporariamente mudasse de lado.
No momento do confronto, não há slogans, mensagens de esquerda, apenas a vontade radical de revidar. A maioria dos grupos que estão participando é composta por jovens, predominantemente homens, que se conhecem há muito tempo. As pessoas que se envolvem nessas táticas não desejam mediação.
Os jovens participantes, muitos dos quais são adolescentes, são metódicos. Eles atacaram prédios públicos, prefeituras e locais de poder executivo, tudo por motivos óbvios. Mas eles também estão atacando as escolas que segregam e excluem e forçam as pessoas a entrar no sistema capitalista; as delegacias em que os policiais capturam seus amigos e os espancam; as câmeras de vigilância que monitoram seus movimentos; a infraestrutura de transporte público, que é rara nos “quartiers” e muitas vezes é recém-construída para transportar os gentrificadores para suas casas suburbanas recentemente renovadas; e os canteiros de obras construindo infraestrutura nova e instantaneamente obsoleta para os Jogos Olímpicos, que desempenham um papel importante na gentrificação dos subúrbios.
Por fim, o movimento mostrou seu poder criativo no campo dos saques, particularmente no papel que carros e scooters desempenharam. Os carros são usados para forçar portas e cercas, enquanto as scooters permitem uma saída rápida depois. As scooters também desempenham um papel crucial nos confrontos com a polícia. Sem entrar em muitos detalhes, a mobilidade é crucial nas batalhas que ocorrem à noite.
O que é saqueado? Quase tudo, mas, ao contrário da narrativa da mídia corporativa, a maioria dos saques não é festiva ou divertida: a grande maioria do que é levado são simplesmente produtos básicos e medicamentos. Isso implica que o movimento desencadeado pela morte de Nahel também expressa uma rejeição fundamentalmente anticapitalista da precariedade e do alto custo de vida.
Ouvido às 4h da manhã no supermercado do bairro: “Estou pegando tudo isso para minha mãe.”
Apesar da natureza profundamente universal do sentimento político no cerne dos tumultos e da centralidade da luta contra a brutalidade policial nos movimentos sociais desde (pelo menos) 2016, a possibilidade de uma aliança entre a esquerda e os jovens tumultuadores ainda é tênue. Os políticos de esquerda estão em grande parte pedindo paz e reconciliação, imaginando projetos para “reformar uma polícia republicana” que “reabriria o diálogo entre a polícia e o povo”.
A esquerda revolucionária (que é predominantemente trotskista na França) apoia o “Comité Vérité et Justice pour Nahel” formado por familiares e apoiadores próximos, seguindo o modelo do “Comité Vérité et Justice pour Adama” e da família Traoré, mas não tomaram nenhuma posição pública em relação à atual revolta. Quanto aos anarquistas e outros grupos autônomos, eles ainda estão encontrando seu caminho, principalmente desempenhando papéis de observação, apoio jurídico e logístico, mesmo que alguns de nós participem ativamente dos tumultos.
No final, o movimento continua, independentemente, e os jovens que estão participando não estão particularmente preocupados com grupos dos quais não se sentem parte.
Atualização, quarta-feira, 5 de julho: Repressão judicial
Pouco mais de uma semana após a morte de Nahel, após cinco noites de revolta, o Estado francês está usando todo o peso do sistema judiciário para esmagar a revolta. Se alguém ainda tinha dúvidas, agora está claro: não haverá justiça e nem paz.
Mais de 300 pessoas foram condenadas à prisão na noite passada. Ontem, em Créteil, na parte sul da região de Paris, quase todos os jovens que estavam sendo julgados foram enviados para a prisão. Não importava se eles tinham bons advogados, maus advogados, se havia evidências ou não, se tinham boas referências de personalidade, se haviam delatado alguém. No final do dia, todos voltaram para Fresnes com sentenças que variam de 6 a 30 meses.
Talvez aquela tarde que testemunhamos tenha sido particularmente ruim, mas as notícias de outros tribunais em toda a região de Paris são tão ruins quanto. Os juízes estão seguindo uma diretriz de 30 de junho do Ministro da Justiça, Eric Dupond-Moretti (um assumido estuprador e idiota), na qual ele pede uma “resposta firme e rápida” com “medidas de segurança” rigorosas, ou seja, prisão. Os promotores e juízes estão ansiosamente cumprindo.
Em toda a França, pessoas de apenas 12 anos de idade estão sendo sistematicamente condenadas a meses ou mais de prisão. Nas ruas, o sentimento é cada vez mais niilista: “eles não podem nos pegar todos”. Ainda assim, nos últimos dias, as coisas têm ficado mais calmas à noite. Pode ser que a repressão esteja funcionando para intimidar as pessoas; ou que as mães estejam mantendo seus filhos em casa; ou que os saques tenham diminuído porque as lojas precisam ser reabastecidas com mercadorias novamente; ou que as pessoas estejam esperando o final de semana de 14 de julho, o feriado nacional francês, para incendiar tudo mais uma vez.
Podes ler mais sobre as “comparutions immédiates” (“julgamento imediato”), que foram usadas em quase todos os casos desta semana, aqui.
Os sindicatos convocaram uma greve indefinida no setor dos trabalhadores do metal em Pontevedra, após semanas de protestos e denúncias. Milhares de operários participaram na assembleia e concordaram em iniciar a greve a partir de 18 de julho, caso as demandas dos empregados não fossem atendidas até então.
Mais de 33.000 trabalhadores estão convocados para esta greve total, que aumenta a tensão entre os sindicatos e a patronal, que continua ignorando as reivindicações do setor.
Os sindicatos mostraram publicamente sua unidade e afirmam que não darão um passo atrás, mesmo com os empresários integrados em Asime, Atra e Instalectra exigindo o cancelamento das greves para iniciar negociações.
No contexto da greve no setor do metal na província de Pontevedra, o Galiza Livre entrevistou Esteban, um trabalhador do setor e membro da Plataforma de Trabalhadores/as do Metal (PTM). Esteban destaca a participação maciça dos trabalhadores na greve, paralisando o setor e realizando manifestações multitudinárias. Ele ressalta a insatisfação dos trabalhadores com as condições precárias de trabalho e a necessidade de um acordo coletivo digno. Esteban também critica a falta de informação e a falta de unidade sindical nas negociações. Ele menciona o uso da repressão policial contra os trabalhadores durante os protestos e destaca a importância da solidariedade popular. Esteban acredita que o conflito pode evoluir para mais dias de greve e até uma greve indefinida. Ele expressa descontentamento com a cobertura midiática, que tende a favorecer os interesses da patronal e a criminalizar os trabalhadores.
O setor do metal da província de Pontevedra, está a atravessar uma crise laboral. Os trabalhadores têm lutado por salários justos e condições de trabalho dignas, mas as negociações com a patronal têm sido infrutíferas. Como resultado, decidiram convocar uma greve indefinida a partir de 18 de julho. A greve foi anunciada após uma série de protestos realizados em Vigo, Pontevedra e Vilagarcía, coincidindo com o sexto dia de paralisação de 24 horas. Durante os protestos, houve confrontos com as forças policiais, resultando em detenções e violência policial. Como é comum em mobilizações intensas, houve repressão estatal, que foi documentada pelo trabalho mediático de iniciativas como Galiza Contrainfo, que ofereceu ampla cobertura das mobilizações.
Após um longo período sem grandes greves, o setor do metal na província de Pontevedra, especialmente em Vigo, voltou a demonstrar sua capacidade de mobilização e combatividade. As mobilizações também se estenderam a pontos distantes, como Salnés e Deça. Em Vigo, os trabalhadores interromperam a feira patronal Mindtech em busca de um melhor acordo coletivo, sem se deixarem dissuadir pelas restrições à liberdade de manifestação impostas pelo governo. Eles conseguiram bloquear a principal via de comunicação da Galiza, a AP9, e resistiram às agressões policiais.
Durante os protestos, as estradas foram bloqueadas, e os trabalhadores marcharam pelas ruas das cidades de Vigo e Pontevedra exigindo justiça e melhores condições de trabalho. A adesão à greve tem sido massiva, com um grande número de trabalhadores participando nas mobilizações. Os sindicatos prometeram intensificar as manifestações se a patronal não atender às suas reivindicações.
O setor do metal na província de Pontevedra é significativo, abrangendo cerca de 3.700 empresas e empregando cerca de 30.000 trabalhadores. As negociações entre os sindicatos e a patronal têm girado em torno de questões como aumentos salariais, redução da jornada de trabalho e garantia de estabilidade no emprego. Os sindicatos exigem um aumento salarial justo e a manutenção da cláusula de revisão salarial de acordo com a inflação real, enquanto a patronal oferece aumentos salariais menores e restrições nas cláusulas de revisão.
O setor do metal da província de Pontevedra está em greve indefinida devido à falta de progresso nas negociações entre os sindicatos e a patronal. Os trabalhadores exigem salários justos e condições de trabalho dignas. Os protestos têm sido marcados por confrontos com a polícia, mas a adesão à greve tem sido massiva. Os sindicatos prometem continuar com as mobilizações até que suas demandas sejam atendidas pela patronal.
A Plataforma de Trabalhadores e Trabalhadoras do Metal de Ponte Vedra foi criada em resposta à “traição sindical” por parte de CCOO, UGT e CIG. Eles denunciam a falta de representatividade e a falta de transparência nas negociações do novo convénio. A plataforma exige assembleias obreiras e a mobilização do proletariado metalúrgico contra a situação. Eles estão empenhados em lutar por melhores condições de trabalho e continuarão pressionando a patronal e os sindicatos. A plataforma acredita na luta do proletariado para conquistar seus direitos.
Haverá uma transmissão autónoma de rádio durante todo o evento. Isso permitir-nos-á abranger várias partes de todo o festival de forma soberana. O mesmo grupo de trabalho tem como objetivo configurar a gravação de áudio e/ou vídeo das diferentes oficinas, possibilitando a todos os que não possam estar presentes fisicamente ouvir/ver as gravações. Tanto a transmissão ao vivo como a gravação estarão sempre sujeitas ao acordo das pessoas que apresentam e conduzem uma determinada oficina.
Também temos como objetivo criar uma rede de internet fiável durante todo o evento para que todos possam ligar-se à internet sem custos adicionais. Se tiver habilidades técnicas ou equipamentos que possam ajudar com isso, por favor, entre em contacto. Se puder apoiar o nosso grupo de trabalho ou tiver alguma questão, escreva para radio@anarchy2023.org.
Por ocasião do 150º aniversário do primeiro encontro internacional anti-autoritário, estão a ser preparados encontros internacionais nas montanhas de Jura, na Suíça. Estes terão lugar de 19 a 23 de julho de 2023, com uma extensão de alguns dias para permitir tempo e espaço para encontros espontâneos. Fazemos este apelo para esclarecer o papel destes encontros, ou seja, as nossas motivações concretas, bem como a forma como pretendemos organizá-los.
Num mundo que parece estar cada vez mais a neutralizar o protesto radical – entre repressão, cooptação e controlo – parece necessário encontrarmo-nos fisicamente, como anarquistas. Para refletir coletivamente sobre as questões que nos importam, especialmente sobre as evoluções políticas e sociais dos últimos anos, e continuar a aprofundar as críticas que nos emancipam. Para conhecer melhor as lutas concretas que estão a ocorrer em todo o lado, contadas por aqueles que as lideram. Para formar novas esperanças para o futuro. Para construir laços fortes entre diferentes grupos e indivíduos anti-autoritários, fortalecendo a solidariedade entre lutas além-fronteiras. E para fazer com que novas pessoas queiram juntar-se a elas.
De facto, queremos acima de tudo falar sobre lutas vivas. Não se trata de comemorar um evento histórico, o que seria sem sentido se não estivesse relacionado com a vida diária de pessoas vivas, com uma tensão combativa real contra o Estado e outras formas de dominação.
Estes encontros serão, portanto, uma oportunidade de partilhar experiências, discutir estratégias e dar a conhecer as vossas lutas locais. Sejam elas feministas, ambientalistas, anti-tecnologia, anti-prisões, anti-fronteiras, anti-fascistas, anti-capitalistas, anti-racistas e anti-militaristas… O que nos une é a visão anti-autoritária.
Estes encontros serão aquilo que vocês fizerem deles. As atividades são organizadas de forma horizontal e descentralizada. Isto é possível graças a um grande quadro de informações que pode ser preenchido manualmente no local e também a uma ferramenta online participativa que encontrarão em organize.anarchy2023.org. Basta adicionar a vossa proposta de atividade à agenda agora. A agenda poderá ser editada durante os encontros. Um grande edifício será dedicado a atividades espontâneas e será autogerido.
Durante estes quatro dias, encontrarão reuniões para grupos com as mesmas prioridades (como feminismo, saúde autónoma, por exemplo), oficinas práticas, discussões e apresentações numerosas e variadas. Como podem ver, não haverá conferências oficiais, ou seja, organizadas pelo comité organizador. Haverá também grupos a oferecer exibições de filmes, uma feira do livro e uma rádio anarquista. Para as crianças, informamos que haverá um grupo misto a providenciar um espaço de creche todos os dias. Outro grupo disponibilizará uma área de campismo com um espaço separado para mulheres, pessoas transgénero e não-binárias. Outros grupos irão organizar exposições, concertos, danças, etc. Aliás: precisaremos de muitos voluntários no local, podem inscrever-se antecipadamente ou quando chegarem!
Mais informações em anarchy2023.org (o site é atualizado regularmente).
Por fim, estamos cientes de que a organização de um evento internacional deste tipo, na Suíça, no país mais caro do planeta, envolve dificuldades financeiras e problemas para obter vistos. Para facilitar o acesso, iremos criar uma plataforma de boleias. A maior parte do evento será gratuita ou “pague o que puder”, seja no campismo, nas refeições organizadas por grupos de culinária internacional ou nos concertos. E não hesitem em entrar em contacto connosco por e-mail em info@anarchy2023.org se tiverem dificuldades em obter um visto.
Viva a anarquia e até breve!
Consultem também o nosso apelo original para co-organizar o encontro. Sigam Anarquia 2023 nas redes sociais!
Cerca de 600 vizinhos, suportando as altas temperaturas e como parte da luta que estamos a levar a cabo, percorremos o centro de Sevilha denunciando a situação das infra-estruturas eléctricas nos bairros populares.
A manifestação decorreu normalmente, informando os transeuntes através de altifalantes e panfletos sobre a grave situação resultante da discriminação sistemática que sofremos nos nossos bairros.
Denunciamos que este é o cúmulo de uma política que condena as famílias trabalhadoras. A falta de abastecimento é a última componente que já toca o ataque à saúde pública, que se junta ao estado geral de abandono de que somos vítimas.
Os nossos bairros estão cheios de desemprego, de empregos precários e agora a nossa própria existência está a ser precarizada. Aos maus tratos, a Junta de Andaluzia quer acrescentar a humilhação dos nossos bairros como “conflituosos”, reforçando o argumento da Endesa. No entanto, o que temos são bebés a chorar porque não suportam os quase 50ºC que os termómetros atingem no interior das suas casas, que se transformam em fornos ao sobreaquecerem durante todo o dia sem ar condicionado. Ou pessoas doentes cujas vidas são encurtadas a cada minuto. Denunciámos também, em conjunto com os sindicatos, que esta situação tem um profundo impacto no descanso que os trabalhadores necessitam para irem trabalhar todos os dias, implicando mesmo o perigo de acidentes graves.
Voltámos a pôr em cima da mesa a falsidade dos argumentos da Endesa, que escondem o estado deplorável da rede em muitas zonas, que se estende de dia para dia, com zonas como Bellavista e Pino Montano a juntarem-se recentemente à cadeia de bairros afectados. Uma cadeia que mostra a extensão do problema: Juan XXIII, La Plata, Los Prunos, Cerro, Los Carteros, Palmete, Padre Pío, zonas de Pio XII, Ciudad Jardín, Santa Teresa, são algumas das zonas onde os cortes estão a causar mais ansiedade e impacto.
Congratulamo-nos com o facto de Isabel Mayo, Subdelegada del Gobierno, ter insistido mais uma vez neste ponto após a reunião que teve connosco durante a manhã. Nas suas declarações, sublinhou que a origem do problema é a falta de manutenção e de investimento, o que seria diferente se estivéssemos a falar de outros bairros, e não “destes bairros”, como o Sr. Sanz disse recentemente em declarações públicas. As palavras do novo Presidente da Câmara deram a entender que o problema “destes bairros” é natural e que o problema é que se está a alastrar a outras zonas da cidade.
Por isso, congratulamo-nos com o facto de a situação estar a ser denunciada por entidades oficiais. No entanto, pedimos ao governo central que tome medidas e que actue perante estes graves factos, intervindo diretamente por razões de emergência. A nossa exigência segue duas linhas: a solução urgente, a renovação da cablagem e das infra-estruturas, e, por outro lado, que a empresa regresse à propriedade pública, que seja resgatada das mãos privadas cheias de lucros astronómicos, com a sua renacionalização sob o controlo dos trabalhadores.
Na próxima semana, na quinta-feira, dia 20, às 11 horas, voltaremos às ruas com uma nova concentração em frente aos Tribunais de Sevilha e entregaremos um novo documento ao Ministério Público com novas informações. Entretanto, as assembleias de bairro continuarão a organizar-se.
Agradecemos especialmente o apoio da CCOO e da CGT, enquanto representantes das organizações de trabalhadores, e de outros movimentos combativos como a APDHA, Marea Blanca, Marea Verde, La Carpa (sem a colaboração dos quais não teríamos tido o altifalante para o ato final), Plataforma de Pensiones, o movimento pela habitação em Sevilha (do qual fazemos parte). Contámos também com a presença de representantes da IU, Podemos, Sumar e PSOE, que estão a fazer eco dos acontecimentos. Esperamos que no debate eleitoral apresentem propostas concretas em relação à atitude da Endesa e ao que fariam. Eles já conhecem a nossa.
Como Alarm Phone, testemunhamos os assassinatos diários perpetrados pelas autoridades europeias, em colaboração com seus colegas africanos. Todas as manhãs, tardes, noites e madrugadas, estamos ao telefone com pessoas em sério perigo no Mediterrâneo e no Atlântico. Testemunhamos as mortes silenciosas e invisíveis, os barcos dos quais nunca mais teremos notícias e os corpos levados pelas ondas.
Estamos chocados, indignados e nos sentimos impotentes diante dessa violência diária imposta pela União Europeia.
Há um ano, a polícia espanhola e marroquina matou pelo menos 37 pessoas. Outras 77 ainda estão desaparecidas. O massacre de Melilla mais uma vez demonstra brutalmente que todas essas mortes não são coincidência. Elas não são acidentes. São o resultado não apenas da negligência, mas sim de uma escolha: a escolha de sacrificar vidas humanas para implementar políticas racistas e xenófobas a todo custo. Os assassinatos de pessoas abandonadas no mar e os massacres realizados nas fronteiras terrestres, a violência descarada, fazem parte dessa mesma lógica.
“Podem não nos dar explicações, mas sempre exigiremos justiça. Isso é resultado de uma política perigosa por parte da União Europeia, nomeadamente dificultar a movimentação das pessoas, embora elas tenham o direito à liberdade de movimento. Os massacres continuam acontecendo nas fronteiras, não há consolo para as vítimas: em vez disso, elas são esquecidas”, explica Ibrahim, do Alarm Phone Tangier.
Hoje, como todos os outros dias, nossos pensamentos e corações estão com os sobreviventes deste terrível massacre, com os mortos, suas famílias e amigos. O sofrimento diário dos entes queridos, que não sabem se seus filhos, filhas ou amigos estão vivos ou mortos, nunca é reconhecido. Desejamos expressar nosso total apoio quando eles procuram por seus entes queridos desaparecidos.
Como Alarm Phone, honramos e apoiamos as pessoas que agem todos os dias para afirmar sua liberdade de movimento e a liberdade de movimento daqueles ao seu redor.
L., um sobrevivente do massacre de Melilla, declara:
“Foi realmente horrível aquele dia em que R. e eu decidimos seguir o grande grupo e pular as cercas de fronteira em Melilla. As forças auxiliares me espancaram até eu ver a morte batendo à minha porta. R., meu único amigo, não sobreviveu e morreu diante dos meus olhos. R., que sua alma descanse em paz, um soldado não morre. É uma política que mata, seja lentamente (por meio de doenças, má nutrição, depressão mental, estresse, etc.) ou brutalmente (sendo espancado pela polícia ou pela população, etc.). Essa política só pode mudar se a União Europeia e as autoridades marroquinas decidirem pôr um fim a ela, respeitando e aplicando plenamente os direitos humanos”.
Todo ano, a atenção da mídia se concentra em um massacre ou dois naufrágios. Mas a brutalidade dos estados do Norte que colaboram com os do Sul é constante e diária. Cada vida conta!
Exigimos das autoridades europeias e espanholas:
verdade, justiça e reparações para as vítimas do massacre de Melilla, do massacre de Tarajal em 06 de fevereiro de 2014 e por todos os inúmeros naufrágios e pessoas mortas e desaparecidas nas rotas migratórias.
procedimentos que possibilitem a identificação dos corpos e o esclarecimento do que aconteceu (autópsias, registros de DNA, consideração de depoimentos de testemunhas, vídeos, etc.).
Não cessaremos de exigir e apoiar ações que lutem pela liberdade de movimento para cada ser humano no mundo. Liberdade de movimento que só pode existir em um mundo livre de racismo e discriminação. Pela liberdade de movimento para todos.