do assassinato de Alcindo Monteiro”. Este é um caso eminentemente político, em que através dos tribunais se Iguala um representante de uma força genocida a alguém que sempre lutou pela igualdade e se cauciona indiretamente a narrativa de que ‘racismo’ e ‘antirracismo’ são duas faces de uma mesma moeda. Todo este aparato é também, e sobretudo, um sinal claro para que o movimento negro e antirracista se cale
A água une-nos a todos. Ela é a essência da vida na Terra.
A água é a fonte e o sustento de toda a vida no planeta. Dela surgiu a vida na Terra ! Os ecossistemas e as civilizações evoluem em torno da Água. Cuidar da água é cuidar da vida!
São muitas as feridas e os danos que continuamos a gerar para nós mesmos, às outras espécies e ao nosso ambiente natural e, sendo a água o elemento mais fundamental da natureza do qual toda a vida depende, parece-nos essencial que seja este o ponto inicial da nossa acção.
Estudos apontam que cada ser humano contém em si entre 50% e 75% de água e, ao mesmo tempo, 99% das moléculas no nosso corpo são constituídas de água.
O acesso à Água pura é a base para a saúde individual, coletiva e planetária. A Água pura fortalece o nosso sistema imunitário individual e coletivo e aumenta exponencialmente a força vital.
Quando investimos na protecção e purificação das Águas planetárias e na restauração do ciclo hidrológico, toda a Vida beneficia.
Ao longo dos anos temos assistido a uma crescente crise hídrica. Em 2022, o extremo calor e escassez de água atingiu recordes em Portugal e na Europa levando à intensa propagação de incêndios florestais.
Prolongados períodos de chuva no final de 2022 culminaram em cheias, na maior parte das regiões do país, causando não só danos económicos e estruturais, mas também o fenómeno de lixiviação dos solos (escoamento de água, especialmente em solos sem cobertura vegetal, reduzindo a sua fertilidade ao longo do tempo).
As previsões de evolução das alterações climáticas estimam que estes fenómenos extremos de secas e chuvas intensas venham a aumentar, causando grandes impactos para cada um de nós, enquanto pessoas que habitam, cuidam, trabalham e investem no território.
Assim, para a resiliência territorial, o florescimento de nossa sociedade e a garantia das gerações futuras, é essencial que haja uma participação ativa dos cidadãos para a proteção da água e, consequentemente, da produção alimentar, das florestas, ecossistemas e ciclo hidrológico.
O território, enquanto ecossistema vivo, funciona em simbiose absoluta.
Queremos focalizar a nossa atenção na legislação sobre o uso da água e no investimento em sistemas de proteção e regeneração de florestas e ecossistemas.
É cada vez mais regular vermos o território nacional ser ocupado de forma desmedida por projetos empresariais que ignoram a urgência de práticas mais sustentáveis e regenerativas, tais como projectos de índole industrial, agricultura intensiva, extração mineira, e ainda os empreendimentos turísticos (ex: campos de golfe no Algarve, onde há escassez de água).
Um ataque constante a reservas naturais, territórios protegidos e até patrimónios mundiais agrícolas (como o caso da região do Barroso, em Montalegre), em que os fins lucrativos prevalecem como prioridade face à proteção do ambiente e populações.
Acrescenta-se, ainda, a falta de competência por parte de agências governamentais, tal como a Direção Geral de Energia e Geologia e a Agência Portuguesa do Ambiente, que nos disponibiliza resultados e indicadores insuficientes para uma verdadeira avaliação de impacto ambiental, fazendo-nos questionar as motivações para projetos impensáveis irem avante.
É incompreensível, na atualidade, a passividade e a cumplicidade governamental relativamente a todas estas questões que colocam em risco a saúde da população e do ambiente.
Movimento pelas Águas e Serras brota assim como um chamado coletivo a todos aqueles que desejam preservar e proteger a água e toda a vida que depende dela, assim como trabalhar coletivamente na direção da regeneração da nossa relação com os ecossistemas.
Objetivos do Movimento
Trazer a consciência de que somos água e da importância desta para a saúde dos ecossistemas e da Terra
Contribuir para uma rede de cooperação entre vários movimentos, pessoas, associações e instituições pela proteção, preservação e regeneração das águas, serras e ecossistemas
Identificar e dar visibilidade a projetos e situações nocivas que colocam a saúde da águas e dos ecossistemas em perigo
Criar oportunidades de diálogo, dinamizar campanhas de consciencialização e de activismo
Convidar artistas, indivíduos e grupos criativos a envolverem-se em campanhas de ativismo usando a arte e a expressão criativa como forma de comunicar e trazer maior consciência
Recolher e dar a conhecer projetos regenerativos pioneiros, ideias e soluções para problemas, assim como conhecimento ancestral que está a ser perdido
*Inspirar e empoderar pessoas para serem parte da mudança*
Como forma de honrar a Água e a sua importância para a vida, dia 22 e 25 de Março, juntamo-nos em Lisboa como resposta à negligência governamental relativamente à proteção dos ecossistemas e à salvaguarda dos recursos hídricos.
Cuidar da água é cuidar da vida!
Dado o panorama nacional dos últimos anos, em que se tem observado um agravamento da crise hídrica, incêndios florestais e eventos meteorológicos extremos, fazemos um chamado coletivo de ação pela proteção da água, das florestas e dos ecossistemas. Muitas destas decisões dependem essencialmente da gestão governamental.
Atualmente temos uma legislação que não salvaguarda de forma eficaz a proteção dos recursos hídricos, florestas e biodiversidade e está muito aquém das melhores práticas instituídas a nível europeu. Acrescenta-se a falta de competência por parte das autoridades de fiscalização:
A Agência Portuguesa do Ambiente disponibiliza-nos resultados e indicadores insuficientes para verdadeiras avaliações de impacto ambiental, fazendo-nos mais uma vez questionar as motivações para projetos impensáveis irem avante.
Estamos claramente face a uma legislação e práticas governamentais que ainda fazem prevalecer o modelo predominante em que os interesses financeiros, ainda se colocam como prioridade, face aos impactos ambientais e sociais.
Por outro lado, temos projetos implementados em Portugal e no mundo que nos mostram que mesmo em territórios de escassez hídrica, é possível restituir e até mesmo exponenciar a retenção da água, através da regeneração dos ecossistemas.
Assim, sentimos a necessidade de questionar as entidades governamentais do porquê de não estarem a ser exigidas práticas empresariais mais responsáveis, porque não estão a ser tomada de decisões devidas para prevenir a seca em Portugal, e a haver aposta devida em projetos regenerativos.
Quais os problemas que observamos?
Crescimento exponencial de projetos de agricultura intensiva em territórios de escassez de água, e a falta de legislação para estes projetos;
Falta de investimento e gestão eficiente das florestas, com a soberania de monoculturas, em especial eucaliptos, que contribuem para a seca, falta de biodiversidade e fácil propagação de fogos florestais;
Poluição dos rios com descargas ilegais, muitas vezes por empresas ou indústrias, sem as devidas sanções atribuidas.
Autorização para projetos de minas a céu aberto para a extração de lítio, junto de populações e lugares de importância ecológica: estes projetos despendem de uma enorme quantidade de água secando os recursos hídricos da região, com um grande impacto ambiental – poluição do ar, solo, águas subterrâneas e rios próximos, destruição de florestas e ecossistemas e poluição sonora.
Má gestão hídrica, em empreendimentos turísticos, como o caso dos campos de golf, sem controlo dos gastos de água, para a manutenção dos campos.
Reinvindicações
Legislar sobre os projetos de agricultura intensiva, para que tenham em conta os recursos hídricos disponíveis, não autorizando projetos que despendem de uma grande quantidade de água em lugares de escassez hídrica.
Investimento em projetos regenerativos, que mostram o aumento de biodiversidade, da retenção da água, matéria orgânica e da fertilidade nos solos.
Novos planos de gestão florestal
Promoção de educação ambiental adequada às problemáticas da atualidade
Revogação dos contratos assinados pelo governo para a prospeção e exploração de lítio em Portugal
Savannah entregou à APA novo pedido de licenciamento para a Mina do Barroso a 17 Março 2023.
A 31 de Maio sairá a resposta final da APA.
Contando que uma série de projectos poderão vir a ser aprovadas neste verão, visto que os processos mineiros costumam ser aprovados em catadupa. O exemplo mais imediato é a Mina do Romano, mesmo ao lado, que recentemente foi tema de desinormação.
A 20 de Março de 2023, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) colocou em consulta pública o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) para a proposta de conceder uma licença de prospeção de Lítio nas serras do Barroso. São cerca de 1729 documentos, em que 253 ficheiros são do tipo pdf compostos por 4490 de páginas.
O prazo dado às populações (locais e solidárias) para as comentar foi de 10 dias, este prazo terminaria hoje 4 de Abril. Perante a enorme vaga de contestação, o prazo foi extendido durante mais 10 – os diretores da APA tiveram que desapertar as gravatas, já lhes custa a respirar, mergulhados num profundo poço de cumplicidade com a multinacional Savannah e a União Europeia numa luta desenfreada para encontrar territórios novos para a implementação da nova agenda terrorista para com a vida, o ‘capitalismo verde’.
Desenvolvemos uma ferramenta alternativa: um motor de busca para o dito Estudo de impacte ambiental (EIA). Aqui, pode procurar temas, nomes, datas, etc que ajudem a aceder a informação e a compor comentários que ajudem a escrever a tua participação na consulta pública que podes ver aqui.
Com apoio mútuo e solidariedade venceremos, somos a natureza a defender-se.
O período de consulta às populações é de 10-15 dias. Já a empresa teve 3 anos para reformular o projecto chumbado à primeira! Os documentos têm mais de SETE MIL páginas, centenas de mapas e 1700 ficheiros dispersos. A população tem até 4 de Abril para rever toda esta “literatura”.
A associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso responde que “Além de curto, o prazo descumpre a Convenção de Aarhus e a Diretiva da Lei Europeia. Esta última determina que o prazo para a consulta do público em causa sobre o relatório de avaliação do impacto ambiental não pode ser inferior a 30 dias.”
rede hidrografica DENTRO da MINA
Quem será sacrificado?
Romainho, a 200 m de distância Covas de Barroso, a 600 m de distância Dornelas, a 700 m de distância Lousas, a 850 m de distância Vila Grande, a 1000 m de distância Alijó, a 1300 m de distância
Entre os estudos encontra,-se também coisas que fariam qualquer pessoa desacreditar do próprio projecto, menos os seus proponentes, obviamente. Desde as mais de 1000 mortes relacionadas com as ondas de calor em 2022, ao facto de que várias aldeias poderão assumidamente ficar sem água potável. Para isto, a empresa compromete-se a abastecer água a estas aldeias, proveniente dos reservatórios de água limpa. Mas, e se a água acabar, e a empresa assobiar para o lado? Como irão estas pessoas sobreviver a um ambiente cada vez mais quente e seco, com a perda de água, árvores, biodiversidade e humidade, numa região já a sofrer impactos brutais da seca e do aquecimento global?
1000 mortes relacionadas com a onda de calor em 2022, em Portugal. Temperaturas médias no distrito de Vila Real, a chegar perto dos 50º na última década, quando há 100 anos era de graus negativos.
“Tais eventos já estão a ter impacto na população, assim como na agricultura e na economia. Em 2022, Portugal assistiu a um dos verões mais quentes e a um aumento dos incêndios florestais, com mais de 1.000 mortos relacionados com as vagas de calor (julho mais quente em 92 anos) e perto de 110.000 hectares de floresta perdidos devido aos incêndios (Reuters, 2022). Em junho de 2020, 96% de Portugal estava classificado como estando em seca extrema ou severa (Carl-Friedrich et al., 2020). Em agosto de 2022, 60,4% de Portugal sofria de seca severa e 39,6% de seca extrema”
Estudo de Impacte Ambiental
Resistência:
Jornal Mapa: comunicado da Unidos em Defesa de Covas do Barroso:
A britânica Savannah Resources está, desde 2016, investida em abrir a maior mina a céu aberto de lítio da Europa. A concretizar-se, a mina seria localizada perto das aldeias de Covas do Barroso, Romainho e Muro, consagradas Património Agrícola Mundial. No passado dia 17 de Março, a empresa pediu uma reunião com os representantes do baldio de Covas do Barroso. Cerca de 80 pessoas apareceram e as gentes locais mostraram firmeza e união contra uma mega multinacional que quer implementar a maior mina de lítio da Europa a escassos metros desta bela aldeia.
No dia anterior, a União Europeia (UE) aprovava uma nova legislação sobre matérias primas críticas, que prevê a simplificação das licenças ambientais para os projectos de exploração de minerais, o que constitui um retrocesso na procura por elevados padrões ambientais que a UE tem a pretensão de alcançar. Nesse mesmo dia, a Savannah entregava a última reformulação do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) à Agência Portuguesa do Ambiente (APA). A APA tem agora até dia 31 de maio para tomar uma decisão final. Todo o processo de licenciamento tem vindo a demonstrar uma total desconsideração pelas vontades das populações locais e um claro desinteresse pela preservação da biodiversidade.
Nestas próximas semanas, fazemos um apelo a quem luta pela vida: vamos fazer ouvir a nossa voz nos corredores da APA, vamos pressionar os nossos decisores políticos, vamos travar este ecocídio!
Consulta Pública ou Citizenwashing?
Quase três anos depois da primeira submissão do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) e dois anos depois de ter saído a consulta pública, o EIA da “Mina do Barroso” voltou a ser re-submetido para avaliação na Agência Portuguesa do Ambiente, ao abrigo do artigo 16 do regime jurídico da Avaliação de Impacte Ambiental (RAIA). Este artigo prevê “a eventual necessidade de modificação do projeto para evitar ou reduzir efeitos significativos no ambiente” assim como “a necessidade de prever medidas adicionais ambientais de minimização ou compensação”. Estas mudanças são feitas entre a Comissão de Avaliação em articulação com o proponente, neste caso, a empresa Savannah Resources. A submissão, feita na passada quinta-feira, inicia o período de avaliação de 50 dias úteis disponível para a APA, sendo o prazo para a emissão da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da APA a 31 de maio de 2023, onde se incluiria um possível período de 10 dias para consulta pública. Na prática, isto significaria que o Estado deu três anos à empresa, mas garantiria à população escassos 10 dias para ler e rever um documento que conta com mais de 7 milhares de páginas e que sofreu várias reformulações ao longo de três anos.
Durante o período de consulta pública, em abril de 2020, a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) contou com o contributo de vários especialistas que analisaram várias áreas do EIA em questão. Estes contributos sistematicamente criticaram as muitas lacunas, omissões, conclusões excessivamente optimistas e infundadas da empresa, e apelaram à sua rejeição pela Agência Portuguesa do Ambiente. Um dos especialistas, Dr. Steven Emmermann, especialista em hidrologia, criticou a proposta de armazenamento de rejeitos numa escombreira que poderia vir a ter 193 metros de altura e ficou alarmado com a falta de precauções de segurança num projeto que, segundo ele, conta com “tecnologia experimental e cenários ideais” para ser bem sucedido. Esperava-se que a APA se pronunciasse no prazo de 50 dias a contar da data de encerramento da consulta pública em Julho de 2020.
No entanto, a população ficou até agora, março de 2023, em limbo, sem receber informações por parte da APA ou da mineradora, sem receber explicações quanto à demora, sem ser consultada devidamente. A UDCB acredita que estas demoras se devem a pressões políticas para assegurar um parecer positivo da APA para um projeto com sérios impactos ambientais, impossíveis de mitigar. O processo tem-se pautado pela falta de transparência e pela recusa de acesso livre à informação. Apesar de Portugal ser signatário da Convenção Aarhus da Comissão Económica para a Europa das Nações Unidas (CEE/ONU), que garante o direito à informação ambiental e à participação em matéria do ambiente, vários pedidos feitos à APA para tornar públicos os documentos relativos ao processo de avaliação do EIA da Mina do Barroso foram ignorados. Uma comunicação contra Portugal foi feita pela Fundação Montescola, sediada na Galiza, ao Comité da dita Convenção dando conta do infringimento.
«o Estado deu três anos à empresa, mas garantiria à população escassos 10 dias para ler e rever um documento que conta com mais de 7 milhares de páginas e que sofreu várias reformulações ao longo de três anos.»
A “reunião” que aconteceu no passado dia 17 de março é mais uma ilustração sombria da forma como o governo e a empresa desqualificam as sérias preocupações de quem vive nestas aldeias e menosprezam as opiniões desfavoráveis dadas por especialistas no assunto. Segundo a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, a consulta à população no processo de Avaliação do Estudo de Impacto Ambiental da “Mina do Barroso” é um exemplo clássico de “citizenwashing”. Mas as gentes barrosãs não se deixaram ficar de braços cruzados: em Covas do Barroso, a sala da antiga Casa do Povo da freguesia encheu-se de residentes que, perante a apresentação, desafiaram os eufemismos e as declarações da mineradora relativamente aos impactos do projeto.
Os e as populares demonstraram o seu desagrado pela insistência na imposição do projeto à população, que infringe o seu direito a um ambiente limpo e saudável, deteriorará a sua qualidade de vida e põe em risco a sustentabilidade ambiental das gerações futuras. As questões que levantaram maior indignação dizem nomeadamente respeito ao consumo de água, ao ruído e às alterações da paisagem e das condições do solo, para além de outras. Um dos presentes questionou o recente corte prematuro e indiscriminado de carvalhos centenários pela empresa como exemplo do desrespeito pelo ambiente e pelas populações, o que põe em causa as reivindicações da empresa segundo as quais respeitará os mais elevados padrões ambientais.
A UDCB considera inaceitável que a população seja mantida à margem do processo e que a APA se recuse a respeitar o direito das populações à informação e à participação efetiva. A UDCB lamenta ainda que o processo de consulta pública se limite a atos simbólicos sem intenção de respeitar a opinião das populações afetadas pelo projeto e que, a julgar pela inadequação das sessões de esclarecimento levadas a cabo pela empresa e pela forma caótica como a consulta publica foi lançada e que ficou até hoje sem resposta conhecida, não terá outro propósito que não seja a validação do projeto e da licença ambiental o qual se prevê catastrófico para o ambiente, à revelia da vontade da população.
Fazemos um apelo a toda a gente que se revê na luta por justiça ambiental; na luta por futuro comum, solidário, anti-extrativista; na luta pela vida: vamos fazer pressão à APA nas próximas semanas e combater este ecocídio!
Unidos em Defesa de Covas do Barroso
Note-se que a própria Agência Portuguesa do Ambiente foi quem aconselhou a empresa durante todo este tempo.
Não passarão! Temos 47 dias para nos fazermos ouvir!
No dia 16 de Março, a Savannah Resources entregou um novo pedido de licenciamento de mina à Agência Portuguesa do Ambiente, que tem 50 dias para responder. Não aceitamos os Estudos de Impacte Ambiental da APA, que continua a ser pressionada a aceitar e deferir tais licenciamentos.
Agora é o momento da pressão popular, de a APA se sentir pressionada também por nós. Porque somos todos os Barrosões e os nossos aliados. Somos muitos, e para nos silenciar, terão de silenciar os nossos corpos. Somos pelas comunidades que cuidaram e protegeram as nossas serras, que são de todos os que vierem por bem; somos pelo conhecimento e modos de vida de gerações, criados em harmonia com a #natureza; somos pela #água, pela #biodiversidade, pela #vida. Está na hora de nos unirmos, braço com braço, nesta luta contra o gigante.
Faz a tua publicação ou story e tagga a @apambiente e @minasnao, para que chegue lá aos escritórios o duro eco da nossa voz. As minas não passarão!
Savannah entrega à APA novo pedido de licenciamento
No dia 17 de Março a Savannah pediu uma reunião com os representantes do baldio e em covas do barroso decidiu-se convidar a população a estar presente. Por volta de 80 pessoas apareceram. As gentes de covas do barroso mostraram firmeza e união contra uma mega multinacional que quer implementar a maior mina de lítio da Europa a escassos 500m desta bela aldeia do Barroso.
No dia anterior a Savannah entregou à Agencia Portuguesa do Ambiente o novo pedido de licenciamento da mina. Temos agora 50 dias para fazermos ouvir a nossa voz nos corredores da APA, para que se sintam pressionados pelas populações que defendem a nossa àgua pura, as nossas florestas, a nossa biodiversidade, a vida.
Estamos hoje aqui, porque como sabem, está a decorrer uma corrida às licenças de prospecção e exploração de minerais em Portugal, como resultado das mal-engendradas políticas europeias de descarbonização.
Políticas que querem implementar, às custas do Barroso e de outras regiões.
Aliciados por ideias enganadoras sobre as reservas portuguesas de lítio, por supostos ganhos ambientais e financeiros, e pela promessa de uma cadeia de valor, o governo português não perdeu tempo em promover de forma irresponsável a mineração de lítio.
Um dos lugares mais afetados em Portugal seria o Barroso, uma região que tem atraído a atenção de empresas mineiras de todo o mundo.
Seria, mas não será, porque não os vamos deixar entrar!
No Barroso existem agora 8 contratos de exploração mineira já assinados, e 7 pedidos que estão a ser analisados pela Direção Geral de Energia e Geologia.
Nos últimos 5 anos, 39% do Barroso foi alvo de pedidos de licenças de prospecção e mineração.
Para além das 15 licenças já existentes, o governo identificou no Barroso uma área de 550 km2, que tencionava oferecer para o concurso. Veio dizer depois que iria entregar esta área para prospecção a qualquer uma das empresas que já cá tivessem licenças. E por o governo ter procedido desta maneira, o Barroso ficou excluído dos processos de Avaliação Ambiental Estratégica e da Consulta Pública, dos quais beneficiaram outras áreas do País. Entretanto, continua a saga dos Estudos de Impacte Ambiental, que a Agência Portuguesa do Ambiente tem sido pressionada a aceitar e digerir.
Mas, por mais cábulas e reformulações que se façam, estes Estudos continuam intragáveis, e não os podemos aceitar.
Por isso estamos aqui hoje, marcando presença e oficiando um enterro a uma das empresas mineradoras que projecta destruir esta região, a Savannah Resources.
Esta empresa quer destruir a região através do projecto Mina do Barroso, propagandeada como a maior mina de lítio a céu aberto na Europa.
Estamos aqui, em frente a loja da Savannah, porque para as pessoas que sempre aqui viveram, esta não será a loja de desinformação que a empresa pretende instalar. Esta será sempre a Rosenda, a Loja da Rosenda.
Obviamente, esta luta não se limita à Savannah, mas abrange todos os projectos que visam destruir esta região.
E por isso, viemos hoje aqui, para declarar inequivocamente que rejeitamos Minas no Barroso.
Vamos agora falar do Barroso.
Temos de reconhecer que as gentes do Barroso vivem em harmonia com a terra desde tempos imemoriais. E temos que reconhecer que os nossos baldios sempre tiveram um papel essencial para a nossa subsistência e para a sustentabilidade dos nossos modos de existência.
Os baldios do Barroso sempre foram e são geridos pelas comunidades locais em harmonia com as diversas ecologias e ecossistemas.
Caso não saibam, ficam agora a saber, que mais de 60% da biodiversidade do nosso país está no Barroso!
A nossa identidade individual e colectiva, como Barrosões, é inseparável do bem-estar e da saúde dos rios, solos, terras e ecossistemas.
Esta simbiose entre as gentes e a natureza, levou a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) a declarar o sistema agro-silvo-pastoral do Barroso como Património Agrícola Mundial. Este é o primeiro a ser aprovado em Portugal, e um dos primeiros a serem aprovados na Europa.
Esta declaração das Nações Unidas realça a importância de proteger os bens que os baldios fornecem às comunidades locais, combinando agricultura sustentável e desenvolvimento rural.
Ora estes modos de vida são em tudo incompatíveis com a mineração.
As minas são um atentado direto à nossa identidade e aos nossos modos de existência colectivos, que cuidadosamente fomos construindo ao longo de gerações.
Quem somos nós? Somos pessoas livres, atentas, esclarecidas e exigentes.
Somos primeiramente Barrosões, e somos também todas as pessoas aliadas.
Somos quem não acredita numa forma de desenvolvimento baseada na destruição da natureza e das comunidades.
Somos quem não acredita na mega mineração.
Somos Barrosões e todas as pessoas que se quiserem juntar a nós.
Porque agimos?
Porque conhecemos os impactos da mineração. Porque sabemos que a mineração apropria as terras, destrói os ecossistemas, polui os rios e contamina os solos, polui os ares e impede a agricultura. E porque sabemos muito bem, como a mineração destrói as comunidades, prejudica a sua saúde física e polui a sua saúde mental.
Não tenham dúvidas, a mineração corrói por toda a parte.
Nós sabemos que durante décadas, geólogos e departamentos inteiros de Universidades Portuguesas têm estimulado a especulação sobre o lítio no Barroso apregoado-o em Portugal e no estrangeiro e promovendo a sua exploração.
Sabemos que múltiplos acordos de cooperação foram assinados entre empresas e universidades. Sabemos que muitos académicos dessas universidades aparecem com frequência na comunicação social a apoiar projetos mineiros. E notamos também os comentários muitas vezes insultuosos, que tecem sobre as comunidades que os opõem.
Sabemos que o lobby mineiro orquestra campanhas de propaganda, manipulando a opinião pública através dos media locais e nacionais, que não se coíbem de infringir códigos de ética profissionais em troca de lucros. Por outro lado, os políticos portugueses, à procura de pensos rápidos para a economia e o ambiente, foram e são alvos fáceis do lobby mineiro.
Em conjunto com um sistema de licenciamento permissivo, criam as condições ideais para a corrida desenfreada às licenças de prospecção e exploração mineiras.
Licenças que são concedidas a empresas oportunistas, muitas vezes sem experiência ou recursos, que procuram lucros fáceis no comércio especulativo e nas facilidades derivadas do entusiasmo do governo.
Querem fazer do Barroso uma zona sacrificial, com a desculpa de uma ideia de descarbonização que mais não faz do que deslocar a poluição dos centros urbanos para as zonas rurais.
Não se coíbem de sacrificar o Barroso e de nos sacrificar a nós!
Mais uma vez, porque agimos?
Porque as autoridades decidiram colocar territórios vastos, das nossas serras, do mundo rural, à disposição das mineradoras, para que uma falsa transição verde possa avançar, sem consultar a vontade das populações afectadas.
E agora vem as mineradoras encartadas com licenças em mão, lobos com pele de carneiro, querendo fazer nos crer que vêm trazer desenvolvimento para a nossa terra.
Estamos cansados que nos digam que a exploração mineira na UE está sujeita aos mais elevados padrões ambientais e sociais a nível mundial.
No Barroso temos a prova de que as leis valem pouco ou nada se não forem aplicadas, e mais ainda se o governo e as instituições públicas estiverem dispostas a ceder e a curvar-se à vontade das empresas.
Servem-se da ingenuidade e vulnerabilidade de alguns, ou da ganância de outros, para semear a discórdia e a desconfiança e desestabilizar a harmonia no meio das nossas gentes.
Mas saibam isto!
No Barroso não nos vamos deixar enganar pelas “Roupas Nova do Rei”, nem ser obrigados a dizer que cinzento é verde, que as minas são sustentáveis.
E muito menos iremos acreditar que as empresas de mineração são os nossos salvadores.
No Barroso, nós que sempre vivemos de forma sustentável, recusamos ser sacrificados para que outros possam manter o seu consumismo intensivo.
E para concluir, quais são então as nossas reivindicações?
Gentes do Barroso que nos escutam, amigos e pessoas solidárias, que nos apoiam de tantas outras partes, as nossas reivindicações são claras:
Não às minas no Barroso!!
Obrigado a todos que nos escutam, obrigado por estarem aqui conosco, este enterro da Savannah é apenas uma de muitas mobilizações que temos planeadas!
Porque aqui no Barroso, o Povo manda e o Governo obedece!!
Brigada Insustentável: Partilhamos aqui os documentos da #APA num formato mais legivel, já descompactado e com todos os pds de 20MB convertidos para imagens 2048px na pasta imagens/
121 directories, 1794 files encontrados 178 mapas.. para analisar em 14 dias 🤨
Alteração ao projeto de ampliação da Mina do Barroso, ao abrigo do n.º 2, art.º 16, DL 151-B/2013 na sua atual redação.
Podes responder com a tua opinião a este projecto, segue o link acima e participa na consulta pública.
Tipologia Avaliação de Impacte Ambiental
Entidade promotora da CP Agência Portuguesa do Ambiente
ANTECEDENTES AMBIENTAIS DO PROJETO
FATOR AMBIENTAL QUESTÕES LEVANTADAS PELA COMISSÃO DE AVALIAÇÃO (CA)
SISTEMAS ECOLÓGICOS Potencial perturbação de espécies como o Mexilhão-de-rio, Gralha-de-bico-vermelho e da atividade natural do lobo-ibérico.
RECURSOS HÍDRICOS Presença de elementos do projeto sobre linhas de drenagem, a sua proximidade ao rio Covas, possibilidade de deterioração da qualidade das águas superficiais com afetação dos objetivos definidos na Diretiva Quadro da Água.
PAISAGEM Não existia, à data, compatibilidade paisagística do projeto devido à classificação da área como Património Agrícola Mundial.
COMPONENTE SOCIAL Elevada incomodidade provocada pela exploração intensa e continuada, num curto período, influência na qualidade do ar da região, possível perda de classificação de Património Agrícola Mundial.
Atualmente a área de implantação do Projeto é dominada por floresta de produção (75%), maioritariamente Pinhal-Bravo, e Matos (20%). Com menor representatividade identifica-se na área de estudo vegetação ripícola e espaços florestais (Carvalhal), na sua proximidade. A área de intervenção encontra-se integrada no sistema agro-silvo-pastoril da região do Barroso, classificado como Património Agrícola Mundial pela FAO.
Em termos de tecido edificado existem recetores sensíveis na envolvente da área de estudo, nomeadamente na localidade de Romainho e Covas do Barroso. O acesso à exploração não atravessa diretamente nenhuma localidade.
No entanto, é na fase de exploração que se registam os principais impactes significativos do Projeto. Evidenciam- se efeitos desfavoráveis significativos, ao nível da afetação paisagística, principalmente associados à instalação da Lavaria, ao desmonte de rocha nas cortas e ao enchimento das escombreiras; da afetação dos recursos hídricos, com alteração dos padrões de drenagem e condições hidromorfológicas; da componente social, devido à necessidade de aquisição de terrenos e deslocação económica.
O Movimento cívico STOP Via do Avepark, aproxima-se do espaço da cerimónia para o Dia Internacional dos Rios, no evento Vitrus Talks, para protestar contra a planeada via Avepark, uma estrada com 7 kilómetros e um custo de 40 Milhões de euros.
Este projecto está a ser proposto para ligar a zona do Ave Park, casa de multinacionais e startups como a Farfetch a outras vias de distribuição de mercadorias bem como a criação de uma via rápida para chegar à A11. A câmara de Guimarães é dominada pelo Partido Socialista há mais de 30 anos, e (*)
a) Discussão do projecto da designada Via de acesso ao AvePark; b) Proposta de revogação da deliberação de interesse público da Via de acesso ao AvePark.
Vamos pela primeira vez fazer história e reunir as assinaturas necessárias para uma Assembleia Municipal pedida pela população. A tua voz também conta! PELAS FREGUESIAS, PELAS PESSOAS, PELA NATUREZA”, diz o movimento nas suas redes.
O projecto é fortemente contestado pelas populações locais, porque apesar de tudo, o Avepark é casa de apenas meia dúzia de empresas, ou seja, a estrada não serve para nada. O ave park tem 10 anos e não tem futuro, “morreu ao nascer” como diz o morador.
Estavam presentes no evento Hugo Pires, secretário de estado do ambiente, Domingos Bragança, presidente da câmara de Guimarães e José Pimenta Machado, vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente.
Em entrevista, os moradores falam do impacte social da Via do AvePark em Guimarães. Estão em luta contra o projecto ineficaz da câmara, que vai “cortar” as freguesias, destruir produções alimentares, bem como a biodiversidade no local. O morador receia “ter de emigrar” e de mudar de vida, visto que irá perder o seu sustento. Várias ruas deixarão de existir.
Natália Ribeiro, presidente da Junta de Freguesia de Prazins, Guimarães, fala sobre o projeto da Via do AvePark e seus impactes. A presidente da Junta diz que o impacto ambiental “vai ser imenso” e exige que a câmara evite esta destruição. Não concorda com o percurso proposto, e aliás, a mesma pessoa que inicialmente tinha apresentado o estudo deste projecto, já fez um novo estudo a propor o alargamento da estrada nacional 101, que liga Guimarães a Braga e têm grandes problemas por resolver a nível do seu traçado, pelo volume de tráfego automóvel, e que talvez até pudessem ser resolvidos com uma requalificação.
A manifestação da STOP Via AVEPARKEntrevista Jose Cunha AVE por XR Guimaraes
José Cunha, ativista da Associação Vimaranense para a Ecologia relata as ações feitas relativamente ao projeto da Via do AvePark em Guimarães, Portugal. O ativista diz que a AVE tem vindo a refutar a ideia de que o projecto seria elegível para o plano do PRR ao qual este projecto foi candidatado. A câmara, e a APA estão a forçar o avanço do projecto, que não foi sujeito a estudo de impacto ambiental, algo que será contestado judicialmente pela Associação. A APA e a câmara terão feito algum acordo silencioso que a população não entendeu, para que o projecto não fosse avaliado. Para a AVE o projecto só poderá ser travado ou pela falta de dinheiro (ainda faltam mais de 20 milhões) ou por uma questão técnica legal vinda da APA ou de algum processo judicial que chegue à conclusão que o projecto não é adequado.
“Um trajeto invasor que irá impermeabilizar o terreno, a circulação da água, o equilíbrio do solo, a continuidade dos habitats, da biodiversidade e que promoverá a poluição.
Os espaços verdes destas freguesias são indispensáveis para a qualidade de vida e para o equilíbrio psicofisiológico das populações, principalmente dos mais idosos, estes ambientes desempenham um importante papel social.
Esta via destruirá, ainda, imóveis e campos agrícolas, sustento de várias pessoas e a atividade de muitos idosos que por cá habitam, sendo esta uma prática que adotam para se manterem ativos.”
Entrevista com duas pessoas do CSO A Insubmissa, na Galiza.
A Insubmissa foi ocupada durante um ano e meio, e foi despejada violentamente em 2018. As pessoas enfrentaram um processo em Tribunal, do qual nos falam na entrevista, feita no evento solidário Tatoo Circus no Espaço Musas.
Estamos aqui no espaço Musas com duas das pessoas que participaram da ocupação do centro social ocupado em Insubmissa e foram duas das pessoas que foram acusadas pelas autoridades de ter participado na ocupação.
Olá, eu sou a D.
Eu sou o Brais
O que foi a Insubmissa e o que é um centro social ocupado?
A Insubmissa foi um centro social ocupado da cidade de Corunha que estive em ativo desde
2016 até 2018, de caráter assembleário e autônomo, em que participou muita gente de diversas procedências e ideologias da cidade de Corunha, que realizava atividades sem ânimo de lucro para os movimentos sociais, era uma ferramenta dos movimentos sociais para a hora de financiar-se, como um espaço para realizar suas atividades e suas assembleias.
É uma cultura livre também, como suporte para outros movimentos e outros projetos sociais, tanto da cidade como de outras partes do estado.
O centro social sempre pretendia dotar a cidade de Corunha da capacidade de gerar cultura ou de gerar autogestão e permitir que a gente autogestionasse o leite, o esporte e também as atividades políticas e sociais. Tínhamos um gimnásio onde se realizavam classes gratuitas de boxeio, capoeira, breakdance, yoga, swing.
Havia também uma tienda livre, onde a gente deixava a roupa que sobrava e se levava gratis o que precisava.
Também tínhamos uma mesa de ping pong para os caras da zona que vinham quando queriam a jogar nela.
Havia um projeto de rampas de skate, havia duas rampas de skate.
Era um grande half pipe indoor, que era algo que também era muito necessário para o coletivo de skaters em Xeralta, Galícia, porque ali chove muito, como aqui no norte de Portugal.
E se realizaram um sem fim de atividades, desde teatro, conciertos, assembleias, era o lugar que a gente utilizava para pintar pancartas ou para preparar manifestações.
E penso que disfrutou dele de maneira livre e gratuita, em muitos casos, e as coisas que não eram gratuitas eram para financiar os movimentos sociais, sempre sem ânimo de lucro, até os conciertos eram sem ânimo de lucro, os grupos não pagavam nem por desplaçamentos, mas os concertos só se permitiam pagar quando eram para causas sociais, e se não, o justo para poder financiar a insumisa e os desplaçamentos dos grupos.
Também havia um talher para reparação de bicicletas, para que a gente pudesse reparar de forma gratuita as suas bicicletas.
Havia também uma pequena huerta, para que a gente se iniciasse a permacultura, e essas eram as atividades.
E o centro social esteve ocupado durante dois anos, mais ou menos?
Mais ou menos, ano e meio, mais ou menos, do final de 2016 até o maio de 2018.
E o que é que se passou em 2018? O que aconteceu?
O que aconteceu é que o centro social havia sido umas antigas naves militares, que pertenciam ao Ministério da Defesa, mas a gestão dessas naves estava em mãos do Ayuntamento, e as naves estavam desabitadas, sem nenhum tipo de utilidade, sem ser usadas, desde quase 20 anos, quando nós as ocupamos, e de fato, até hoje, elas estão desocupadas e fazem cinco anos que não se realizou nenhuma atividade ali.
E o que aconteceu é que o Ayuntamento de Corunha decidiu, por pressões do partido de direita que estava no Ayuntamento antes que eles, desbloquearam uma subvenção de um milhão de euros para reabilitar este espaço, e então o Ayuntamento, supostamente de esquerda, decidiu desalojar-nos para não perder essa subvenção, em que, até hoje, não se faz nada nesse espaço.
Sem falar que o partido político que estava no poder nesse momento, no Conselho, era um destes, como disse o Brais, um destes partidos de esquerda, do câmbio, tipo Podemos, que supostamente era a alternativa mais assembleia e horizontal, supostamente, segundo eles, porque como vimos, experimentamos nas nossas carnes, e isso não era assim.
De fato, três dos conselhais que participavam nesse Ayuntamento eram nossos companheiros em outra ocupação, a Casa das Atochas, que havia havido antes, entre 2008 e 2011.
Mas, bem, e uma das premissas com as quais chegou ao poder este partido, era que jamais se iria impedir o desenvolvimento dos movimentos sociais e que nunca iria interferir, digamos, na obra dos movimentos sociais.
No entanto, acabaram nos desalojando, e com o desalojo mais sangrento e repressivo que teve em Corunha desde a democracia, e com várias pessoas contusionadas, gente com a cabeça aberta, com 12 pontos de sutura, e, bem, muita gente gaseada, e, bem, uma pessoa, um companheiro nosso.
Depois, o desalojo passou nove dias em prisão, e, depois, sete pessoas fomos causadas de diversos delitos relacionados com este desalojo, até o juízo, que foi no mês passado.
Os encausados fomos sete, mas cinco dos encausados foram por os feitos acontecidos no dia do despejo, com acusações de atentado à autoridade, e outros dois fomos encausados por feitos acontecidos dois dias depois, quando foram destruídos os locais deste partido político.
Foi, mais que nada, a gente que viveu este despecho tão, sumamente violento.
Querem dizer como é que está agora o processo?
Os primeiros cargos, as primeiras petições fiscais para dois deles eram para um de 10 anos e para outro de 7 anos de prisão.
Para outras três pessoas, se enfrentavam cargos, ou seja, petições fiscais por três anos e meio, e nós dois, de dois anos de prisão.
E as responsabilidades civis eram de… em torno a 25 mil euros.
Ao final, depois de todos estes anos, que pensamos que era muito provável que alguém entraria preso, durante o juízo nos ofereceram um acordo para que não chegassem a juízo, a cambio de que ninguém entraria preso, de que todos nos declarássemos culpáveis, e pagámos uns 14 mil euros, em conceito de multas e responsabilidades civis. Isto aconteceu 3 de fevereiro deste ano, hà mais ou menos um mês. Apesar de muitos de nós acreditávamos que seria fácil ganhar o juízo, e queríamos ganhar o juízo, porque era uma forma de lutar por aquilo que acreditávamos e porque não nos considerávamos responsáveis, e porque, além disso, está cheio de mentiras do Estado Policial, e as acusações são falsas, em muitos casos, era muito pouco provável que alguém entraria preso outra vez.
Era praticamente seguro que os dois companheiros que tinham apenas 10 anos e 7 anos de prisão iriam ter que cumprir, pelo menos, algo de prisão.
Por esta causa, no final, tivemos que assumir entre todos, declarar-nos culpáveis e assumir estes 14 mil euros para evitar a prisão destes dois companheiros.
Muito obrigada! e por isso estamos aqui no Espaço Musas
Sim, sim, também quero dizer que muito obrigado também ao grupo que organizou o Tattoo Circus aqui em Porto.
E para toda a gente que veio apoiar. Foi maravilhoso e vimos uma resposta incrível e estamos muito agradecidos com a gente de Porto. Muito obrigada.
Acção pela habitação: Moradores manifestam-se agora em frente ao “ministério dos despejos”. Moradores dos bairros da Talude e 2°Torrão, entre outros, concentram-se no ministério da habitação, para exigir o fim dos despejos.
A pessoas fazem parte dos bairros do Talude (em Loures) e 2º Torrão (em Almada), bairros que nos últimos meses têm sido atacados, despejados e demolidos.
“O estado Português não sabe responder com soluções, apenas com repressão. E dessa forma, vão ter resistência todos os dias. Sem chave, não saímos!”
Um forte contigente policial com cerca de 7 viaturas está presente e com uma atitude provocadora face aos manifestantes. A polícia pediu aos manifestantes que se afastassem do edifício, mas há muita mais polícia do que manifestantes no local.
“Cidades para viver, e não para vender… Cidades para Habitar, e não para especular”.
Estas pessoas ficaram sem casa recentemente, por conta dos despejos que não puderam impedir. Algumas delas foram realojadas muito longe dos seus locais de habitação, em condições precárias e exigem o fim dos despejos e soluções dignas para a sua habitação.
A ministra da Habitação estaria numa reunião, e terá pedido que duas pessoas de cada bairro fossem reunir com ela ainda hoje. Um grupo de pessoas estão a reunir com a ministra da habitação no interior do edifício.
A violência doméstica, a violência sexual, a violência obstétrica, o assédio no espaço público e em contexto laboral, o sistema de justiça machista, a transfobia, o tráfico de meninas e mulheres, a negação dos direitos sexuais e reprodutivos, o racismo e a xenofobia, entre muitas outras formas de violência de género, assentam na estrutura básica da nossa sociedade.
As desigualdades laborais, a precariedade, a falta de apoio à parentalidade, as frágeis condições de habitação, a pobreza e a desigual atribuição dos papéis de género são fenómenos que penalizam sobretudo as mulheres.
Na esfera privada, são as mulheres quem mais sofre de violência doméstica, não tendo, muitas vezes, oportunidade para sair da relação, por dependência económica. Além disso, as mulheres vítimas de violência acabam, muitas vezes, por não denunciar por medo do estigma ou por falta de confiança num sistema de justiça marcadamente machista que não responde aos seus problemas. Exigimos o alargamento da rede de casas de abrigo, o investimento na habitação social, bem como mais apoios — laborais, de saúde, económicos e sociais — para as mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. Exigimos o fim das penas suspensas e da impunidade dos agressores e o uso mais frequente de medidas que imponham o seu afastamento e detenção.
Somos também quem mais sofre de violência sexual, nomeadamente de assédio, tanto em contexto laboral, como nas escolas, nas universidades, entre outros espaços públicos e privados. Exigimos penas efetivas para os agressores de qualquer tipo de violência, deixando de haver atenuantes desadequadas. Exigimos a existência de gabinetes de apoio à denúncia do assédio nas universidades e locais de trabalho e sanções para as empresas que permitam o assédio moral e sexual.
Por reconhecermos que o patriarcado está internalizado na nossa sociedade, Exigimos uma política de consciencialização pública para o assédio, que torne socialmente claro que este coloca as meninas e mulheres em perigo, mesmo quando se tratam de micro-agressões aparentemente inofensivas e normalizadas, como o assobio ou o comentário sobre o corpo, para que todas as pessoas se tornem vigilantes e ativas na sua prevenção e censura social.
Saímos à rua porque vivemos, ainda hoje, num mundo profundamente desigual, que desvaloriza a nossa força e a nossa dignidade. Somos nós, mulheres, que representamos a maioria dos vínculos laborais precários e a tempo parcial, a dupla jornada por que passamos para garantir o trabalho doméstico e os cuidados informais, aos filhos, filhas e outras pessoas dependentes.
Exigimos o fim do trabalho precário e salários iguais para trabalhos iguais. Exigimos o fim dos ataques aos direitos de parentalidade e o reforço dos apoios sociais a famílias monoparentais e a mães desempregadas. Exigimos o reconhecimento do valor social doméstico e dos cuidados, a partilha de responsabilidade na sua prestação e mais respostas públicas de socialização do trabalho doméstico para que homens e mulheres beneficiem igualmente dos tempos de lazer e descanso.
Somos as mais pobres e invisibilizadas, e ainda que sejamos uma minoria entre as pessoas em situação de sem-abrigo e/ou pessoas utilizadoras de substâncias ilícitas, nem aí estamos livres de violência machista.
Exigimos uma abordagem cuidada de género nas respostas sociais para as pessoas em situação de sem-abrigo e/ou pessoas utilizadoras de substâncias ilícitas, considerando as necessidades e vulnerabilidades particulares das mulheres nessas situações.
Nos cuidados de saúde, somos também as mais prejudicadas, especialmente através de discriminações a pessoas LGBTQIAP+, da violência obstétrica, da falta de acesso ao aborto seguro e noutros cuidados de saúde.
Exigimos mais formação sobre inclusão de pessoas LGBTQIAP+ para profissionais de saúde que permitam também um acesso livre e efetivo, com estratégias de saúde específicas, aos cuidados no Serviço Nacional de Saúde para as pessoas trans e não-binárias. Exigimos o acesso facilitado a consultas de saúde sexual e reprodutiva. Exigimos o acesso universal e efetivo à interrupção voluntária da gravidez segura.
Exigimos o parto humanizado e o fim de todas as violências obstétricas, a reabertura e reforço das maternidades, das urgências e dos serviços de ginecologia/obstetrícia em todo o território nacional, particularmente no Interior e noutras zonas de baixa densidade populacional.
O movimento feminista deve ser capaz de incluir e ouvir todas as trabalhadoras do sexo, que, por praticarem uma atividade ainda invisibilizada e altamente estigmatizada, são tantas vezes discriminadas e silenciadas. Exigimos que seja ouvida a voz destas mulheres sem julgamentos de natureza moral e/ou preconceituosa. Exigimos que tenham acesso a apoios sociais e retaguarda financeira e de saúde.
A cultura machista, conservadora e racista também se reproduz nas escolas e nas universidades, quando se silenciam as vozes das mulheres, especialmente as racializadas e imigrantes, naquilo que tem sido a propagação das histórias dos “vencedores”, com vieses coloniais. Exigimos uma educação pública e gratuita, comprometida com as agendas políticas da igualdade, da sustentabilidade e dos direitos humanos. Exigimos que a escola garanta a diversidade curricular, promovendo espaços seguros e livres de agressões. Exigimos a correção dos currículos preconceituosos, particularmente dos vieses colonialistas. Exigimos a democratização e livre acesso ao conhecimento científico.
Os valores conservadores da nossa sociedade, que tentam dizer- nos quem somos e onde devemos estar, continuam a perseguir e a
hostilizar todas as pessoas não-binárias, mulheres trans, bissexuais e lésbicas, discriminando a diversidade de identidades de género e de orientações sexuais. A violência de que somos alvo não pode ser o vosso entretenimento!
Exigimos o direito à autodeterminação dos corpos para todas as pessoas. Exigimos educação sexual inclusiva nas escolas, em que sejam abordados temas como a identidade de género e a orientação sexual. Exigimos mais representatividade da diversidade sexual e de género nos media e nos diversos setores laborais.
Sabemos que as mulheres imigrantes e racializadas, como consequência do racismo enraizado na sociedade, são as mais expostas à pobreza, à desigualdade de oportunidades na saúde, educação e participação política, ao trabalho precário e à habitação sem condições e com rendas inadmissíveis!
Exigimos o fim das políticas racistas e colonizantes. Exigimos o fim das discriminações que aumentam a desigualdade, aplicando sanções para as empresas que permitem o assédio ou a discriminação baseada na identidade étnico-racial. Exigimos o levantamento dos dados étnico-raciais da população, de acordo com o apelo continuado das comunidades imigrantes e racializadas.
Mulheres com diversidade funcional e/ou neurodivergência sofrem discriminação, presente em todos os contextos, aumentando as chances de sofrerem violência, incluindo a falta de acessibilidade que é uma das violências mais normalizadas e invisibilizadas na sociedade. Exigimos o fim do capacitismo socialmente enraizado, presente na exclusão social de pessoas com diversidade funcional e/ou neurodivergência em todos os contextos sociais. Exigimos a autodeterminação dos corpos com diversidade funcional, começando a olhar-se para estes na perspetiva do Modelo Biopsicossocial. Exigimos garantias de mais acessibilidade, tanto atitudinal, como física, metodológica, instrumental, comunicacional, etc. para estas pessoas.
Somos as mais afectadas pela crise climática, particularmente as mulheres do Sul Global, por estarem menos abrangidas por redes de protecção social e terem tradicionalmente trabalhos mais associados aos cuidados. Ao mesmo tempo, somos as que lideramos o combate às alterações climáticas. Exigimos que as mulheres que lideram a luta contra as alterações climáticas, em particular as mulheres indígenas, as companheiras zapatistas do México e as mulheres curdas de países do Médio Oriente sejam ouvidas na construção de uma solução política internacional para este problema. Exigimos que as pessoas refugiadas e deslocadas climáticas tenham um estatuto internacional particular, como as que foram obrigadas a sair dos seus países em consequência das cheias no Paquistão e da submersão de áreas importantes de países como o Tuvalu e o Kiribati. Exigimos a promoção de um planeamento urbano de distâncias curtas, com o desenvolvimento massivo de transportes públicos gratuitos. Exigimos o desinvestimento na indústria bélica, usada para subjugar e impor formas de opressão e exploração colonialistas, investindo, em vez disso, numa transição justa nas energias e no mercado de trabalho. Por não nos esquecermos das populações das regiões afectadas pela mineração: Exigimos o fim do Plano de Fomento Mineiro e a interrupção imediata de toda a mineração em curso e projectada, na terra e no mar, bem como acção clara e efectiva contra a mineração em mar profundo.
Assim, unimos as nossas vozes em nome de todas as mulheres, marchamos juntas pela construção de uma sociedade assente na justiça, na igualdade, na dignidade e na liberdade, ocupando as nossas ruas sem medo. Juntas, unidas e em luta por um mundo melhor! Por isso, dizemos,
Atualização sobre as vidas das pessoas cujas casas foram demolidas no bairro do Talude A CM de Loures, perante uma chuva copiosa, arrasou as casas de 7 famílias, incluindo várias mulheres sozinhas, algumas com crianças e bebés, uma grávida doente do coração, um idoso com dificuldades de mar….
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Somos um grupo de trabalhadores revoltados com o que aconteceu ao nosso colega António Freitas.
Na quarta feira dia 1 de março a supervisora chefe Paula Marilia da empresa Highpoint (limpezas, abastecimentos e descargas de comboios da CP) agrediu no posto de trabalho o nosso colega António. As marcas da agressão são visíveis no seu rosto e a chefe não sofreu consequência nenhuma. Na CP parecem estar pouco preocupados se somos agredidos, explorados, mal pagos ou não pagos consoante o acordo que os sindicatos e patrões fizeram. O que importa é que os comboios apareçam limpos e abastecidos… custe o que custar. Somos sujeitos a todo o tipo de más condições de trabalho, desde falta de material de trabalho até falhas de segurança. O sindicato STAD é outro que também não quer saber, desde que a quota entre ao final do mês. Até nos mandou trabalhar no dia em que queríamos fazer greve… Com coragem o nosso colega ainda denunciou a situação nas redes sociais mas mandaram-no apagar o desabafo com ameaças. Queremos justiça e que isto não fique escondido e esquecido. Publicamente protegemos a nossa identidade para não sofrer represálias mas podem ter a certeza que estaremos alerta e atentos nos nossos postos de trabalho, prontos para o que der e vier. Estamos fartos disto!